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Chuva forte no Rio alaga prédio da Biblioteca Nacional

Todos os cinco andares ficaram tomados de água; quinto pavimento, onde ficam os setores de editoração, pesquisa, eventos e o refeitório, foi o mais prejudicado

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Constança Rezende,
O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2016 | 17h51

As chuvas da última sexta-feira, 19, inundaram a Biblioteca Nacional, no centro do Rio de Janeiro. A combinação de muita chuva com um cano desconectado provocou alagamentos em todos os cinco andares. O quinto pavimento, onde ficam os setores de editoração, pesquisa, eventos e o refeitório, foi o mais prejudicado. O acervo de livros e documentos escapou da inundação, segundo a direção da principal biblioteca brasileira.

A Associação de Servidores da Biblioteca Nacional publicou fotos e vídeos em sua página no Facebook, com água descendo do teto e poças nos corredores. A biblioteca informou que, embora o acervo não tenha sido prejudicado, somente hoje será possível avaliar as perdas e prejuízos.

A direção admitiu que o prédio, inaugurado em 1910 na Cinelândia, principal praça do centro carioca, não possui alvará do Corpo de Bombeiros. Seu acervo reúne cerca de 9 milhões de itens. É considerada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como uma das principais bibliotecas nacionais do mundo.

A associação acusou que, desde 2012, alerta sobre acidentes nas partes interna e externa do prédio. “Os vazamentos e outros fatos (elevadores precários, sistema elétrico inadequado, equipamentos de ar obsoletos.) vêm trazendo intranquilidade e iminência de riscos a servidores e trabalhadores do prédio-sede”, divulgou a entidade na rede social.

Os servidores dizem que não há engenheiro responsável pelo prédio. “O edifício data de 1907 (início da construção). Desconhecemos qualquer laudo de vistoria predial que nos garanta segurança para permanecermos ali. Tragédias são noticiadas todos os dias envolvendo desabamento, queda de coberturas, marquises, vazamentos e incêndios. A completa falta de atenção e descuido com a manutenção dos prédios da Biblioteca Nacional vêm agravando a situação e aumentando a insegurança de todos. A Real Biblioteca e todas as coleções formadoras vêm sofrendo com as altas temperaturas dos armazéns, vazamentos e fungos!”, afirma a instituição no texto.

A Biblioteca Nacional passa por uma reforma estrutural desde fevereiro do 2014. Esta não foi a primeira vez que sofre com inundações. Em novembro do ano passado, houve um vazamento no terceiro andar, quando um registro se rompeu. A água escorreu pelas paredes até os pisos inferiores e atingiu o salão de Obras Gerais, molhando caixas de livros que ainda não haviam sido catalogados.

Em 2012, um vazamento no duto de ar condicionado afetou o armazém de periódicos, que ficou alagado. Jornais e revistas, alguns do início do século 20, ficaram molhados.

Segundo a direção da biblioteca, que se manifestou por meio da assessoria de imprensa, pelo menos dois computadores e materiais de escritório foram danificados pela chuva. Sobre a falta do alvará dos bombeiros, a biblioteca informou já ter cumprido todas as exigências burocráticas e de equipamentos. “Demos entrada no processo em 2014. Estamos aguardando o documento dos bombeiros”, informou a assessoria, confirmando não haver um quadro de engenheiros próprios.

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