Carlos Moraes/Estadão
Carlos Moraes/Estadão

Com apoio de empresas privadas, Rio quer triplicar receita do carnaval

Município arca com um custo de R$ 55 milhões para a realização na festa

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2017 | 16h40

RIO - Marcelo Alves, presidente da Riotur, órgão da prefeitura do Rio que realiza os desfiles das escolas de samba, disse nesta segunda-feira, 19, que, ao buscar o apoio de empresas privadas para a festa, pretende triplicar a receita advinda do carnaval carioca.

Ele negou que a prefeitura lucre muito com os desfiles. Alves citou a cifra de R$ 3 bilhões que vem sendo divulgada como argumento em prol da manutenção da subvenção da prefeitura às escolas do Grupo Especial (o valor era R$ 2 milhões por escola e foi cortado à metade pelo prefeito Marcelo Crivella, que alega precisar do dinheiro para investir em creches públicas).

Esse é o montante injetado na economia da cidade durante o carnaval, ressaltou, mas apenas 3% do total vão para os cofres da prefeitura, o que totaliza R$ 90 milhões. Como o município arca com um custo de R$ 55 milhões para a realização na festa, não há uma receita vultosa, afirmou. 

Alves esclareceu que a prefeitura não tem condições financeiras de encampar o que no passado era desembolsado pelo Estado e a Petrobrás (o governo e a estatal faziam repasses às escolas antes de crise, e depois os suspenderam).

"Temos que ouvir as empresas privadas. Elas querem participar do carnaval, desde que tenham uma contrapartida, resultados. O evento precisa ser repensado. É um momento de quebra de paradigmas. A potência dos desfiles vai trazer resultados", declarou.

Nesta tarde, Alves terá um encontro com o presidente da Liga Independente das Escolas (LIESA), Jorge Castanheira, para tentar resolver o imbróglio. As escolas, que apoiaram Crivella durante a campanha eleitoral, ano passado, agora se sentem traídas, e ameaçam não desfilar em 2018.

"Meu discurso hoje será de alinhar esse caminho. Eu sou um profissional de marketing, apaixonado pelo carnaval. Estou há 30 anos trabalhando no carnaval. Temos que sentar para conversar para poder crescer. Tem tudo para isso acontecer, mas precisa haver um consenso com a Liga", garantiu.

Alves disse também que não é verdade que a movimentação financeira da Liesa e das escolas - historicamente ligadas a criminosos do jogo do bicho e à máfia dos caça-níqueis - seja uma caixa preta. 

"A Liga é muito rigorosa na prestação de contas. O que está faltando agora (da prestação do último carnaval) são R$ 100 mil de cada escola", disse, tentando acalmar os ânimos dos dirigentes. "Essa é uma polêmica desnecessária. Vai ter carnaval, e vai ser maior e melhor".

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