Fabio Motta/ Estadão
Fabio Motta/ Estadão

Crivella muda de discurso e agora exalta o carnaval

Expectativa é que o Rio de Janeiro receba 1,5 milhão de turistas e que a receita gerada seja de R$ 3,5 bilhões

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2018 | 15h35

RIO - Criticado por sua ausência no carnaval de 2017 e por medidas impopulares relacionadas à festa, como o corte de verbas das escolas de samba e a interferências nos blocos de rua, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), mudou de postura em relação à folia.

Dessa vez, ele irá aos desfiles, e, nesta terça-feira, 6, exaltou o carnaval como parte constituinte da identidade carioca: “O interesse de todos nós é uníssono, inequívoco: queremos um carnaval bonito, alegre, esplendoroso, que represente a capacidade do carioca de ressurgir da crise, erguer a cabeça e enxugar as lágrimas”, declarou, numa entrevista coletiva de órgãos públicos sobre a preparação para a data.

+++ Crivella pede que foliões não bebam muito no carnaval

“O carnaval é o momento em que o Rio mostra ao mundo que não desistimos. Nós, cariocas, ressurgimos das nossas tristezas, pesadelos, frustrações”, continuou. Depois, reafirmou que irá ao Sambódromo como prefeito, não como folião. “Qual o papel que um prefeito, aos 60 anos de idade, pode ter para abrilhantar a festa? Não sou compositor, não sou sambista, não sou passista. Quem dera minha ida aumentasse o público em 50 mil paulistas, 30 mil mineiros, argentinos”. Segundo o jornal carioca “O Globo”, o prefeito foi aconselhado por uma equipe de marketing a mudar de postura diante da maior manifestação cultural popular da cidade.

De acordo com o prefeito, a diminuição à metade da verba municipal para as escolas de samba do Grupo Especial – cada uma recebia R$ 2 milhões, o que passou para R$ 1 milhão – não prejudicou o preparo dos desfiles. “É verdade que num ano de crise precisamos diminuir os recursos das escolas, mas procuramos arduamente na iniciativa privada. O carnaval será ainda mais bonito, por vocação, pela natureza, pela capacidade criativa do nosso povo. A festa vai ser feliz, engraçada, de paz”. Crivella chegou até a pedir tolerância com a festa aos moradores do Rio que não gostam dos blocos que passam perto de suas casas. “Todos nós compreendemos. Esse é o nosso Rio de Janeiro”.

Ele acusou ainda a imprensa de interpretar mal suas ações, e disse que não é contra o uso “de biquíni e de salto alto” nem reprova o rebolado de foliões. Lembrou que não foi ao Sambódromo em 2017 – na noite do domingo de carnaval, compareceu ao torneio de tênis Rio Open enquanto os desfiles eram abertos na Sapucaí – mas visitou no hospital vítimas do grave acidente ocorrido com um carro alegórico. Na época, ele argumentou que seria sinal de “hipocrisia” e “demagogia” estar nos desfiles, uma vez que é um homem religioso. Crivella é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, que reprova a festa.

Nesta terça-feira, foram apresentados os números da operação da prefeitura para o carnaval. Serão aplicados mais de R$ 75 milhões, divulgou a Riotur, em ações de limpeza, saúde e transportes, entre outras áreas. A expectativa é que o Rio receba 1,5 milhão de turistas e que a receita gerada seja de R$ 3,5 bilhões. Conforme a indústria hoteleira informou, a taxa de ocupação de quartos na cidade deve ficar em torno 85%, marca recorde. O carnaval deve reunir 6 milhões de pessoas no total, dizem os dados oficiais.

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