FABIO MOTTA/ESTADÃO
FABIO MOTTA/ESTADÃO

Crivella não aparece para entregar chave do Rio ao Rei Momo

Durante todo o dia, a prefeitura foi procurada para dar informações sobre a 'cerimônia de transmissão', mas não atendeu às ligações

Fábio Grellet e Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2017 | 19h41
Atualizado 26 Fevereiro 2017 | 21h40

Todos os anos, na sexta-feira anterior ao carnaval, o prefeito do Rio entrega simbolicamente as chaves da cidade ao Rei Momo, que passa a ser a "autoridade máxima" do município. Com o gesto, é declarada oficialmente aberta a folia carioca. Agendada para as 18 horas desta sexta-feira, 24, a entrega só ocorreu às 20h38, sem a presença do prefeito Marcelo Crivella (PRB). Quem o representou foi a secretária municipal de Cultura, Nilcemar Nogueira.

O atraso foi justificado por ela e pelo presidente da Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur), Marcelo Alves. “A cerimônia não tinha horário marcado, por isso não houve atraso”, afirmou ele, negando informação prestada por outros quatro envolvidos no evento, entre eles o Rei Momo. “E o prefeito não veio porque sua mulher está muito doente, com uma gripe muito forte”, continuou. 

“A prefeitura deu total apoio ao carnaval, como deve ser, então não há do que reclamar”, afirmou Nilcemar, que é neta do cantor e compositor Cartola (1908-1980), fundador da escola de samba Mangueira.

Após a rápida cerimônia de entrega da chave, os representantes da prefeitura saíram do setor 1 do sambódromo, onde ocorreu o evento, e até o Rei Momo foi levado antes que concedesse entrevista.

Durante todo o dia, a prefeitura foi procurada por telefone pela reportagem para dar informações sobre a "cerimônia de transmissão", mas não atendeu às ligações - esta sexta é ponto facultativo nas repartições públicas. A Riotur, responsável pelo carnaval, informava não ter detalhes sobre o evento, tampouco confirmava a presença de Crivella ou de outro representante dele. 

Surgiram informações desencontradas - funcionários disseram que a entrega da chave caberia ao vice-prefeito, Fernando Mac Dowell (PR), outros atribuíram a função à secretária Nilcemar, como realmente ocorreu. 

A chave chegou ao sambódromo no início da tarde, conduzida por integrantes do Instituto Cultural Candonga, entidade que é guardiã do símbolo no intervalo entre os carnavais. "Fomos chamados para o evento às 18h, mas ninguém nos disse quem vai entregar a chave ao Rei Momo", disse Maria Cristina Silva de Jesus, presidente do Instituto Candonga, quando chegou ao sambódromo. Diante do atraso e da falta de informações, ela contemporizou: "Atraso é normal, daqui a pouco chega alguém".

Por volta das 17 horas, os músicos que integram a banda da Guarda Municipal chegaram ao sambódromo. "Chamaram a gente para um evento, mas não explicaram do que se trata”, contou um deles, sem se identificar. O Rei Momo, Fábio Damião, informou por telefone, por volta das 17h30, que estava em um hotel próximo ao sambódromo aguardando ordens para seguir ao evento. "Segundo me informaram, a entrega das chaves será às 18 horas", contou. Às 18h45, sambistas integrantes das escolas da Série A já chegavam ao sambódromo para a primeira noite de desfiles. As exibições começaram às 22 horas desta sexta.

Outro mistério permanece: Crivella vai ou não à Sapucaí para acompanhar o desfile das escolas de samba em seu primeiro carnaval como prefeito? Nenhum assessor soube dizer. Quando indagado sobre o assunto, o prefeito desconversa. Especula-se que o prefeito viajaria. Ele é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, que é contra a participação de seus fiéis na "festa profana".

Em seu perfil no Facebook, Crivella não falou de carnaval nesta sexta-feira. "Aproveitando o dia para fiscalizar obras na cidade", afirma postagem do prefeito. Na foto, ele aparece à beira de uma estrada em Guaratiba, na zona oeste do Rio, longe do burburinho dos blocos de rua.

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