Cúpula da Segurança discute reação às mortes de PMs no Rio

Cúpula da Segurança discute reação às mortes de PMs no Rio

Secretário se reuniu com comandantes das Polícias Civil e Militar; para ele, assassinatos de 3 agentes não têm relação entre si

TIAGO ROGERO, O Estado de S. Paulo

01 Dezembro 2014 | 13h13

Atualizado às 14h

RIO - O secretário estadual de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, o chefe da Polícia Civil, delegado Fernando Veloso, e o comandante-geral interino da Polícia Militar, coronel Ibis Pereira, reuniram-se durante 40 minutos no início da tarde desta segunda-feira, 1º, para traçar as ações em resposta ao assassinato de três policiais militares no último sábado, 29. Beltrame não quis, porém, revelar quais serão as ações.

O secretário, entretanto, voltou a afirmar que por ora não há qualquer informação que indique ligação entre os três crimes, ocorridos em três pontos diferentes da capital e da Baixada Fluminense e encarados até agora pelas polícias como tentativas de assalto que terminaram com os assassinatos dos militares. 

"É um assunto totalmente estratégico, uma discussão da inteligência policial, algumas ações que precisamos conferir, confirmar, alguns levantamentos que precisam ser feitos tanto por parte da Polícia Civil quanto pela PM, então acho que é melhor para todo mundo não comentarmos isso e deixar que as coisas aconteçam", disse Beltrame ao sair da reunião.

O secretário reiterou que continua descartando "totalmente" qualquer conexão entre os crimes. "Não há ligação nenhuma, comandamento nenhum, seja de que presídio for, ou facção que for, em relação às mortes dos policiais", declarou Beltrame. "Não há nenhum organismo de inteligência que tenha essa informação ou tenha nos repassado qualquer coisa nesse sentido." 

Beltrame também rechaçou que as 105 mortes de PMs  até agora neste ano façam parte de algum movimento orquestrado. "Isso infelizmente é a total banalização da vida que criminosos criaram há anos no Rio, de portarem uma arma e, sem o mínimo critério, fazerem uso dela matando policiais e civis."

A cúpula da segurança do Rio começou a reunião logo após a formatura de 61 aspirantes a oficiais, na Academia de Polícia Militar, em Sulacap, na zona oeste do Rio.

O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) participou da solenidade e também dos primeiros minutos da reunião entre Beltrame e os chefes das duas polícias. Antes, em discurso na solenidade, Beltrame falou aos policiais: "Vamos buscar nossos algozes, mas não vamos admitir o discurso fácil e oportunista de que 'tem de ir para cima'. Os senhores juraram, e eu jurei, o cumprimento de nossos deveres dentro da lei. Essa é a diferença entre nós e os marginais", afirmou o secretário de Segurança. "Não vamos banalizar a vida como os marginais costumam fazer."

No discurso, o secretário também voltou a afirmar que segurança não é uma questão só de polícia, mas que envolve também outros setores como Legislativo e Judiciário. "Nós estamos fazendo a nossa parte", disse aos policiais.

Beltrame se solidarizou com os militares mortos, pelo menos 105 só neste ano. "Uma pessoa que morre com farda, perdoem-me a expressão, parece que não é gente para a sociedade", afirmou o gaúcho, alegando falta de comoção pela morte de militares.

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