Dar tiro em favela é mais fácil do que na zona sul, diz Beltrame

Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro denuncia ação do tráfico para dificultar operações policiais

Wilson Tosta, do Estadão,

23 Outubro 2007 | 12h35

Um dia após o anúncio de que a polícia do Rio matou mais e prendeu menos neste ano em relação a 2006, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, fez uma polêmica afirmação: que é mais fácil para a polícia realizar operações em favelas do que na região de Copacabana, área nobre da capital fluminense.   Segundo Beltrame, em função da discussão sobre as operações policiais, os traficantes estão se deslocando com os seus arsenais de áreas carentes para a zona sul do Rio. "Porque um tiro em Copacabana é uma coisa. Um tiro na Coréia é outra. Na medida em que se discute esta questão (a política de enfrentamento do governo estadual que tem resultado em tiroteios e mortes nas favelas) isso beneficia a ação do tráfico. Mas vamos em frente".   Beltrame, que participou do seminário "Desafios da gestão pública de segurança" na Fundação Getúlio Vargas, disse que não há política de enfrentamento, mas de inteligência. "O problema se dá na execução da operação. Não posso pegar um braço mecânico e ir na Coréia tirar os marginais". Segundo o secretário o tráfico está "recrudescido" e criou uma "gordura armamentista". "Ontem, o tráfico matou um policial com 15 tiros. Isso é enfrentamento. Isso é afronta", concluiu Beltrame.   Na segunda, um balanço divulgado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) apontou que, em relação a setembro de 2006, houve um aumento de 21% no número de registros de autos de resistência (mortes em confronto)- que passou de 75 para 91 - e redução de 22% no número de prisões. Em 2007, já foram mortos 961 suspeitos, 154 a mais do que em 2006. Nesse mesmo período, 13.109 acusados foram presos em 2006, e 10.215 este ano.   Os dados foram divulgados pelo ISP e ainda são preliminares. Foram comparados apenas os registros feitos em delegacias legais (informatizadas). Eles correspondem a 67% do total de boletins de ocorrência do Estado.

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