Deslizamento de 7 mil toneladas de terra pára trânsito do Rio

Deslizamentos no Túnel Rebouças começam por rompimento de adutora; chuva complica a situação na cidade

Felipe Werneck,

24 Outubro 2007 | 20h00

O deslizamento de sete mil toneladas de terra do Morro do Cerro Corá entre as duas galerias do Túnel Rebouças, principal via de ligação da zona sul com a zona norte da cidade, parou o Rio. Diariamente, 220 mil veículos passam pelo local. A prefeitura estimou que precisará remover pelo menos 700 caminhões lotados de barro para liberar as pistas, mas o trabalho só poderá começar quando a chuva parar. Novo deslizamento no Túnel Rebouças e mais caos no trânsito Túnel Rebouças é fechado após deslizamento na zona sul do Rio  Santos Dumont fecha e quase 60% dos vôos são cancelados Prefeitura do Rio recomenda que população não saia de carro Previsão é que chuva continue por 48 horas Imagens do caos no Rio  "Se parasse de chover nesta quarta-feira eu liberaria as pistas amanhã à tarde. Mas isso depende fundamentalmente de papai do céu", disse o secretário municipal de Obras, Eider Dantas. Ele eximiu a prefeitura de responsabilidade e afirmou que fez "o correto, mas contra dilúvio só mesmo a Arca de Noé". "Foram 210 milímetros nas últimas 24 horas, o que representa a chuva de 40 dias em condições meteorológicas normais. É água que não acaba mais", declarou. O serviço de meteorologia informou, porém que o índice de chuvas foi de 117 milímetros. "A prefeitura investiu R$ 200 milhões em 12 anos na contenção de encostas. Antes, era muito pior. Estamos fazendo o melhor. Nós retiramos da encosta 40 construções irregulares anos atrás, e tínhamos reflorestado tudo." O prefeito César Maia (DEM) afirmou que o problema pode ter sido causado pelo possível rompimento, na tarde de segunda, de uma tubulação da Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae) que passa pela encosta e abastece moradores na parte de cima do morro. Segundo ele, o primeiro alerta surgiu às 16 horas de anteontem, quando ainda não havia começado a chover. A Cedae negou a acusação. Segundo a Assessoria de Imprensa da companhia, não foi detectado nenhum vazamento e mesmo assim o abastecimento no local foi interrompido. No fim da tarde, em visita ao local do deslizamento, o secretário de Obras reafirmou que o problema pode ter sido agravado pelo possível rompimento, que segundo ele será investigado. "Não abrimos ainda a caixa-preta", disse. Ele ressalvou, porém, que a questão do suposto vazamento "ainda é conjectura". Um geólogo da Fundação Instituto de Geotécnica do Município (Geo-Rio) ouvido pelo Estado afastou a hipótese. "Para mim é um acidente geológico mesmo. Não posso acusar ninguém sem provas". A composição da rocha, do tipo biotita-gnisse, é a mesma do Pão-de-Açúcar e do Corcovado. Segundo Dantas, cerca de 30% da área total da encosta desabou. Uma das pistas foi interditada às 22 horas de terça por causa do risco, e por volta das 23h30 houve o primeiro grande deslizamento. Um grupo de 20 homens que trabalhava no alto do morro, no início da manhã, foi salvo de uma possível tragédia pelo alerta de um funcionário da Geo-Rio, que detectou o risco de novos desabamentos. Eles deixaram o local rapidamente, e cerca de meia hora depois a terra começou a descer. Houve pelo menos sete grandes deslizamentos, por volta das 7 horas, às 8h23, às 9h07, às 12h20, às 13h50, às 14h35 e às 18h. A terra avançou sobre o muro de contenção, obstruiu a galeria e chegou a derrubar um poste que estava fincado na encosta. As operações foram suspensas. Segundo Dantas, com o terreno instável não havia como garantir a segurança dos operários. "Tenho 100 funcionários parados, mas não posso colocar ninguém, seria irresponsabilidade. Tem que parar de chover. Não vamos colocar os operários nem a população em risco." O plano da prefeitura é iniciar o trabalho 4 horas após a estiagem. Com um trator, no alto do morro, toda a terra que deslizou e ainda não caiu na pista do túnel seria empurrada. Depois, com tratores e caminhões, a terra seria retirada das pistas. Para Dantas, o trabalho duraria cerca de 13 horas. O secretário disse que o prefeito César Maia liberou verbas "sem limite", em caráter de emergência, para as obras.

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