Dona de casa é 13ª vítima de bala perdida no Rio em nove dias

Dona de casa é 13ª vítima de bala perdida no Rio em nove dias

Atingida enquanto dormia, Sandra Costa dos Santos está internada; secretário diz que polícia tem ciência sobre guerras de facções

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

26 Janeiro 2015 | 11h45

Atualizado às 12h15

RIO - A dona de casa Sandra Costa dos Santos, de 58 anos, foi atingida na cabeça por uma bala perdida enquanto dormia em sua casa em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro, na madrugada desta segunda-feira, 26. Ela sobreviveu e está internada no Hospital Estadual Albert Schweitzer, em Realengo, também na zona oeste. Ainda não há informações sobre seu estado de saúde.

Sandra é a 13ª vítima de bala perdida na Região Metropolitana do Rio de Janeiro desde o dia 17. Onze casos ocorreram na capital, um em Niterói e outro em São Gonçalo. Quatro vítimas morreram. Ela mora nas imediações da Vila Aliança, bairro da zona oeste onde há constantes confrontos entre criminosos de facções rivais e destes com a polícia.

A menina Lilian Leal de Moraes, de 12 anos, foi atingida por uma bala perdida na madrugada desta segunda-feira no Morro do Chapadão, em Costava Barros, na zona norte do Rio de Janeiro. Segundo testemunhas, criminosos de quadrilhas rivais trocavam tiros quando a menina, que estava na Rua Javatá, foi atingida. Ela foi levada ao Hospital Estadual Albert Schweitzer, em Realengo, na zona oeste, e ainda não há detalhes sobre seu estado de saúde.

Na noite de domingo, 25, segundo a Polícia Militar, Adriene Solan do Nascimento, de 21 anos, morreu após ser atingida por uma bala perdida na Rocinha, zona sul, durante um tiroteio entre supostos traficantes e policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do bairro. Ainda não se sabe de quem partiu o disparo que atingiu a mulher. Ela chegou a ser levada ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, também na zona sul, mas não resistiu ao ferimento.

No sábado, 24, Caio Robert Carvalho Rodrigues, de 14 anos, foi atingido por uma bala perdida enquanto brincava em um condomínio no bairro do Fonseca, em Niterói, na Região Metropolitana. O adolescente está internado no Hospital Icaraí, na mesma cidade. Ele é de Minas Gerais e está passando férias em Niterói.

No mesmo sábado, outras três pessoas foram atingidas por balas perdidas. Uma mulher e um adolescente foram atingidos durante um tiroteio no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, na zona norte. Em São Gonçalo, Diogo da Silva Santos, de 23 anos, morreu durante um tiroteio no centro da cidade.

Outras seis pessoas haviam sido feridas por balas perdidas entre sábado, 17, e sexta-feira, 23. Duas crianças - Asafe William Costa Ibrahim, de 9 anos, e Larissa de Carvalho, de 4 anos - morreram ao serem atingidas. Outra criança e quatro adultos foram feridos, em bairros da periferia da capital.

Beltrame. O secretário estadual de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, afirmou nesta segunda-feira que a polícia tem consciência da guerra de facções em áreas ainda sem Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e está promovendo operações para combater os criminosos, como no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, na zona norte, mas não vai fazer ocupações sem condições de sustentá-las. Essas trocas de tiros teriam sido responsáveis por alguns dos 13 casos de bala perdida.

"Eles (os criminosos) fazem efetivamente uso dessas armas causando morte de pessoas inocentes que estão fora do império, do reduto (deles). O que nós estamos fazendo é entrando nesses impérios e acabando com isso, é (isso) que as UPPs têm feito", afirmou o secretário em entrevista à TV GloboNews. "Sabemos da situação do Chapadão, Juramento, Costa Barros, Santa Cruz, Baixada Fluminense (regiões ainda sem UPPs e que são palco de ações criminosas frequentes), mas não podemos fazer ocupação sem poder sustentá-las. O que podemos fazer e estamos fazendo são operações policiais."

"Quando acontecem os fatos, o questionamento sempre cai sobre a polícia. Hoje existe um reducionismo das pessoas acharem que segurança pública é sinônimo de polícia. Quem pode ter dado esses tiros são menores, são pessoas em estado vulnerável, pessoas que usam uma arma sem o menor tipo de responsabilidade. Óbvio que essas armas estão na mão de pessoas que não têm responsabilidade nenhuma", disse Beltrame.

Beltrame ressaltou que, apesar da sequência de casos de violência, a polícia está trabalhando e, desde 7 de novembro, já prendeu 4.410 pessoas e apreendeu 568 pistolas no Estado do Rio.

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