Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Empresas serão as primeiras penalizadas, diz Pezão sobre água

De acordo com o governador, a prioridade é o abastecimento humano; ele afirma que não pensa em racionamento por enquanto

Rafael Moraes Moura e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

28 Janeiro 2015 | 13h27

Atualizada às 20h30
BRASÍLIA - Após reunião com a presidente Dilma Rousseff para tratar da crise hídrica, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), disse nesta quarta-feira, 28, que não pensa em rodízio, racionamento de água nem em sobretaxa pelos próximos meses. De acordo com o governador, a prioridade do governo do Rio de Janeiro é garantir o abastecimento humano, mas se alguém for penalizado, as empresas é que vão pagar primeiro a conta. 
"Não queremos prejuízo de ninguém. Agora, se for alguém penalizado, vão ser as empresas primeiro, não o abastecimento humano, que dá pra gente garantir por um bom tempo ainda", disse o governador, que se
reuniu com Dilma e os ministros Nelson Barbosa (Planejamento), Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Izabella Teixeira (Meio Ambiente) para tratar do tema.
"Neste momento a gente não quer tomar nenhuma dessas medidas (racionamento, rodízio) porque ainda não é necessário, mas nada está afastado se essa seca se prolongar. Se em fevereiro, março, abril não chover o suficiente, vamos tomar outras medidas", alertou o governador. "Se não chover o esperado, é um quadro grave para este ano."

Durante o encontro, os ministros apresentaram ao governador informações de que o período de seca deve se prolongar pelas próximas semanas. Segundo Pezão, o governo do Rio de Janeiro está em contato permanente com a Agência Nacional de Águas (ANA) e com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para acompanhar os desdobramentos da situação.
"Vamos fazer grande campanha institucional para as pessoas pouparem água, para não esbanjarem (o uso), vamos intensificar essa campanha. Tem diversas medidas que a gente vem estudando", comentou o governador, ressaltando que não discutiu com a presidente Dilma Rousseff a possibilidade de um racionamento no Estado do Rio de Janeiro.
Questionado se a situação do Rio seria melhor que a de Minas Gerais e São Paulo no enfrentamento da crise hídrica, Pezão respondeu: "Um pouco melhor. Com essa seca aí não tem ninguém melhor, tá uma seca geral. Se São Paulo atravessa (crise hídrica), a gente atravessa."  Pezão evitou entrar em polêmica com o governo de São Paulo, após as desavenças em torno da transposição das águas do Rio Paraíba do Sul. O governador do Rio assegurou que não pensa em sobretaxa "agora, no mês de janeiro, fevereiro".
"A gente vai intensificar o ritmo das obras, que é o que a gente acredita, e agora é torcer muito para que comece a chover e torcer que a gente não precise tomar outras medidas mais drásticas", afirmou, sem especificar quais medidas poderiam ser adotadas.
Prioridade. Na tarde desta quarta-feira, Mercadante, Izabella e o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, se reuniram no Palácio do Planalto para tratar da situação geral da crise hídrica nos Estados da
região Sudeste. A discussão se concentrou no mapeamento dos problemas de licenciamento ambiental que envolvem obras de infraestrutura para garantir o abastecimento de água na região. O governo quer levantar os principais entraves para agilizar a execução dessas obras, ainda que sejam de médio e longo prazo.

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