Reprodução/Google Street View
Reprodução/Google Street View

Estudante é baleada dentro de colégio na Baixada Fluminense

Menina de 14 anos estava no pátio, por volta das 11h, e foi atingida nas costas

Clarissa Thomé e Márcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

05 Julho 2017 | 16h27

RIO - Um dia após Vanessa dos Santos, de 11 anos, ser morta com um tiro dentro de casa pouco após deixar o colégio, no Lins de Vasconcelos, zona norte, uma estudante foi baleada no pátio do Colégio Estadual Ricarda Leon, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Samara Gonçalves, de 14 anos, teve um pulmão perfurado, foi operada e seu quadro de saúde é considerado estável.

Segundo a Polícia Militar, não houve operação na área na manhã desta quarta, quando a garota foi atingida. “Criminosos de facções rivais entraram em confronto nas comunidades”, disse a PM, em nota.

Professores que atuam na região informaram que a escola fica numa das áreas mais violentas de Belford Roxo. “As nossas escolas estão entregues ao tráfico. Qualquer um entra a hora que quiser, porque não tem mais o porteiro de escola. Estamos expostos e vulneráveis”, disse um professor ao Estado, que pediu para não ser identificado. Um grupo de diretores de escolas estaduais divulgou nota em protesto contra a violência. 

À tarde, no Lins de Vasconcelos, 30 pessoas – a maioria delas crianças com uniforme da rede municipal de ensino do Rio – protestaram em ruas próximas à favela Boca do Mato. A manifestação foi pela morte de Vanessa dos Santos, 11 anos, na terça. Parentes e vizinhos são unânimes em afirmar que o tiro que atingiu a menina partiu de um policial militar. A corporação divulgou nota informando que a PM fez operação no morro, ocasião em que trocou tiros com traficantes. 

O secretário municipal de Educação, Cesar Benjamim, criticou as operações. “É inaceitável que a polícia atire para todos os lados nas comunidades.” Em março, uma adolescente de 13 anos também morreu após ser baleada em colégio municipal de Acari, na zona norte. Uma das balas que atingiu a garota partiu de um PM que atuava em operação policial no bairro. 

“Não teve troca de tiro. Quem matou foi a polícia. Não tinha mais ninguém na rua”, afirmou Ohana Gomes, de 19 anos, que mora ao lado da casa de Vanessa. “A polícia precisa entender que nem todo mundo que mora na favela é bandido.”

Anderson de Oliveira, de 29 anos, ajudou a socorrer a menina. “Estava dormindo e saí correndo quando ouvi os tiros. Disseram que ela tinha sido atingida, então peguei no colo e levei até a viatura da polícia. Eles não queriam levá-la, mas aí forcei a porta e deixaram que eu a colocasse no carro”, relatou. “Ela estava viva, mas respirando com dificuldade. Quando coloquei no carro, vi que não dava mais.” Ele também garantiu que o tiro partiu de um PM. 

Governo. Ao Setor de Inteligência da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), o tenente Marcos Luiz disse que não disparou na casa da menina. “Ele foi alvejado por três disparos de pistola no colete” feitos dentro da casa, disse a CPP, em nota. “Ao se virar para proteger duas mulheres que estavam do lado de fora e se identificaram como parentes da criança, foi atingido por outros dois tiros”. Ele diz não ter visto a menina nem o suspeito. 

O secretário de Segurança, Roberto Sá, determinou que a PM reveja procedimentos em operações policiais. Ele também pediu relatório sobre disparos de arma de fogo feitos por cada batalhão. “É preciso deixar claro que nossa política de segurança nunca foi a do confronto.” O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) prometeu, nas redes sociais, que pediu “todo apoio” à família. 

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