Fiscalização nas estradas será intensificada com crise aérea

ANTT e Polícia Rodoviária estão atentos a aumento do fluxo de veículos nas rodovias

Alexandre Rodrigues e Alberto Komatsu,

26 Julho 2007 | 22h18

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) vão intensificar a fiscalização nas estradas para assegurar a segurança dos passageiros que estão trocando aviões por ônibus por causa da crise aérea. Os órgãos também estão atentos a um eventual aumento do fluxo de veículos nas rodovias, principalmente no Sudeste, onde há maior procura por ônibus e automóveis. Para a Associação Brasileira das Empresas de Transportes Terrestres de Passageiros (Abrati) as companhias estão prontas para atender a demanda e não há motivos para se temer um apagão rodoviário. Segundo o superintendente de Serviços de Transporte de Passageiros substituto da ANTT, Francisco Cavour, o aumento da procura por passagens de ônibus para cidades do Nordeste não foi significante. A procura maior é no Sudeste, onde a distância entre as capitais é relativamente pequena. Segundo Cavour, houve um aumento de cerca de 20% na venda de passagens rodoviárias para distâncias de até 600 quilômetros, como é o caso do trajeto Rio-São Paulo. A PRF no Rio tem a informação de que o número de ônibus que liga as duas cidades pela Via Dutra aumentou 35%. No entanto, a concessionária Nova Dutra não registrou um aumento significativo no fluxo de veículos em geral, apesar de muitos passageiros da Ponte Aérea estarem têm viajando em carros próprios ou alugados. "Mais de 500 mil veículos passam pela Dutra por dia, então o aumento não é muito perceptível. A nossa preocupação é maior com ônibus. Vamos aumentar os pontos de fiscalização para verificar as condições de segurança dos veículos e dos motoristas, que não podem estar cansados. Um acidente na Dutra, mesmo com velocidade máxima de 90 Km/h, pode ter um nível de gravidade muito elevado", disse o inspetor André Azevedo, da assessoria de comunicação da PRF no Rio. Cavour afirmou que a ANTT fiscaliza o cumprimento das escalas dos motoristas para evitar que eles trabalhem cansados ou sejam estimulados a correr. Ele explicou que a fiscalização em conjunto com a PRF verifica o disco do tacógrafo, uma espécie de caixa preta dos ônibus que mostra quanto tempo os motoristas estão dirigindo e a que velocidade. Na maioria dos estados, o condutor pode trabalhar no máximo oito horas por dia, com uma de descanso. "Temos visto nesses últimos meses que, passado o pico das crises, a demanda por transporte rodoviário tem voltado à situação anterior. De qualquer forma, a frota tem condições de atender mesmo se a crise se prolongar. As empresas são obrigadas a manter ônibus e motoristas extras em seus pontos de apoio, que são cerca de 4% a 5 % de suas frotas, além de poderem convocar motoristas de férias e usar os que ficam ociosos fora dos horários de pico", afirmou Cavour. O presidente da Confederação Nacional dos Usuários de Transporte, José Felinto, diz confiar no transporte rodoviário. "Era muito comum ver motorista dobrando, correndo nas estradas em ônibus mal-conservados. Mas isso mudou muito nos últimos anos. Houve uma profissionalização. A ANTT tem falhas, como na área de licitações, mas tem cobrado os ônibus e motoristas extras", disse. Antônio Branco, presidente do Sindicato dos Rodoviários do Rio, disse não ter ouvido queixas da categoria. Sérgio de Almeida Braga, presidente da Abrati, diz que não faltarão lugares nos ônibus. Para ele, a capacidade ociosa das empresas é que vai dar conta da procura inesperada. Nos últimos dez anos, o setor havia perdido 40% dos passageiros, boa parte atraída pelas promoções da aviação. Nos últimos meses, a ocupação média dos ônibus tem sido de 55%. "Não existe a possibilidade de um apagão rodoviário. As empresas têm frota e quadro fixos capazes de atender o pico de demanda com conforto e segurança", disse. A Auto Viação 1001, que responde por 35% do mercado no trecho Rio-São Paulo, já havia superdimensionado sua frota e contratado motoristas por causa da expectativa de maior demanda de passageiros no mês de julho provocada pelas férias escolares e pelos Jogos Pan-Americanos. Por isso, conta o gerente comercial da empresa,Carlos Lacerda, foi possível atender, também, o aumento de fluxo com o acidente da TAM e as restrições de operação no aeroporto de Congonhas. São 96 ônibus e 105 motoristas apenas na rota Rio-São Paulo. Segundo Lacerda, até ontem a venda de passagens na ponte rodoviária era 38% maior do que no mesmo período do ano passado. Só as vendas pela internet registraram aumento de 15% no acumulado de julho, na comparação com o mês anterior. A ocupação dos ônibus na primeira classe, com poltronas vendidas a R$ 77,50, preferidas pelos passageiros que trocaram o avião pelo ônibus, está em 82%. Nos assentos executivos, que custam R$ 65, o aproveitamento é de 76%, sendo que em períodos de baixa estação esse índice fica em 69%. Em junho, a 1001 tinha, em média, 16 horários diários nas terças, quartas e quintas-feiras. Este mês, são até 28 horários por dia em São Paulo e no Rio. A empresa também ampliou o número de viagens nas sextas-feiras, sábados e domingos. No mês passado, eram 27 horários em cada uma das capitais nesses dias. Atualmente, são 42.

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