Maria Eduarda
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'Foi uma covardia tremenda', diz irmão de menina morta por bala perdida

Maria Eduarda estava na aula de Educação Física; diretor da Escola Municipal Daniel Piza afirma que não é raro ter de paralisar as classes por conta de tiroteios

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

31 Março 2017 | 12h45

RIO - A família de Maria Eduarda Alves da Conceição, de 13 anos, disse não ter dúvidas de que os tiros que mataram a menina, na escola em que estudava, em Acari, na zona norte do Rio de Janeiro, na tarde desta quinta-feira, 30, partiram da Polícia Militar, e não de traficantes. A estudante foi alvejada na cabeça e nas nádegas durante uma ação policial. Caçula da família, ela praticava basquete na escola e participaria nesta sexta-feira, 31, de uma competição estudantil.

"É muita revolta, indignação. Pela posição em que ela estava e os policiais estavam, não é preciso ser perito para entender e ver a lógica do fato. Duas crianças que estavam com ela contaram como aconteceu. Foi uma covardia tremenda. A escola é localizada numa comunidade de risco. Pessoas que têm treinamento e qualificação não podem atirar assim", disse um dos irmãos da menina, Uidsom Alves, professor de luta, no Instituto Médico Legal, segurando um punhado de medalhas que ela havia conquistado no basquete e o casaco que usava, perfurado a bala e sujo de sangue.

Também no IML estão parentes de dois homens que foram executados por PMs quando estavam já caídos no chão junto a um dos muros da escola. Um vídeo que flagrou a execução circula nas redes sociais (veja abaixo). Um deles é Alexandre Albuquerque, o outro foi identificado apenas como Júnior. Parentes do primeiro disse que ele estava desarmado.

Maria Eduarda estava na aula de Educação Física. O diretor da Escola Municipal Daniel Piza, Luiz Menezes, contou que não é raro ter de paralisar as aulas por conta de tiroteios.

"Semana passada foram dois dias perdidos. É muito tenso trabalhar assim. Temos qur nos acalmar para acalmar as crianças."

Professor de História da unidade, Leonardo Silva estima que sejam perdidos três dias de aula todo mês em decorrência da violência, o que significa um mês inteiro sem aulas ao fim do ano. Ele lembra de Maria Eduarda como uma aluna querida por toda a escola. 

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