Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Forças Armadas anunciam combate a roubo de cargas no RJ pelo mar

Trabalho já é realizado por terra; a ampliação faz parte do Plano Rio 2018, que se estenderá ao longo do ano, quando as tropas federais atuarão no Estado, por determinação do decreto de Garantia da Lei e da Ordem

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2018 | 14h51

BRASÍLIA - O ministro da Defesa, Raul Jungmann, informou que, depois das operações que estão sendo realizadas desde a madrugada desta quinta-feira, 25, nas rodovias federais do Rio de Janeiro, para combater o tráfico de drogas e armas, além do roubo de cargas, o governo federal irá realizar ainda outros operações integradas só que no mar, com a mesma finalidade.

Jungmann não antecipou, no entanto, quando e onde elas serão realizadas, mas advertiu que todo o trabalho está visando, não só os traficantes e ladrões de cargas, mas também os receptadores. Hoje, mais de 3 mil homens das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) estão trabalhando nesta operação, ao lado da Polícia Rodoviária Federal. A intensificação foi necessária, segundo o ministro, porque o roubo de cargas que havia reduzido em 10%, de 2016 para 2017, voltou a subir com os bandidos mudando o "modus operandi" para driblar o trabalho das polícias.

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O ministro informou que este trabalho já faz parte do Plano Rio 2018, que se estenderá ao longo do ano, quando as tropas federais estarão atuando no Estado, por determinação do decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que irá vigorar até 31 de dezembro. "Vamos agir sempre de surpresa e não haverá prazo para término, enquanto estiver a GLO funcionando. Esta será uma ação permanente", declarou Jungmann, após lembrar que o Rio é uma grande rota de acesso de armas e drogas, a maior parte delas chega por meio terrestre, daí a necessidade de reforço ao trabalho da Polícia Rodoviária Federal (PRF), detectando "caravanas de bandidos" e bloqueando-as. Segundo Jungmann, há "bondes de criminosos" nas estradas do Rio de Janeiro. "São caravanas de bandidos que vão assaltar, roubar cargas e trazer armas, munições e drogas que precisamos combater", prosseguiu o ministro.

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Ao falar sobre os receptadores, Jungmann fez questão de mandar um alerta a eles: "Aqui mandamos um recado muito claro, estamos focados nesses que fazem parte dessa cadeia, mas que também estão ligados a setores comerciais e empresariais, sem falar de outros interesses mais, no Rio de Janeiro. Fica aqui esse alerta. Estamos fazendo levantamento e vamos agir", advertiu o ministro, lembrando que os receptadores se beneficiam desse tipo de comércio, seja para vender, seja para consumir.

O chefe do Estado Maior das Forças Armadas, almirante Ademir Sobrinho, por sua vez, informou que as tropas "vão sair e voltar inúmeras vezes, buscando criar incerteza sobre quando e onde atuarão, com diferenciado efetivo e, em muitos casos, atuando junto com as forças estaduais, no combate às quadrilhas especializadas em roubos, a identificação e prisão delas, tarefa esta que é da polícia judiciária". Ele reiterou que as organizações criminosas mudaram local e modo de atuação", daí a necessidade de diversificar as ações e ampliá-las.

Por causa das seguidas operações no Rio de Janeiro, o diretor-geral substituto da Polícia Rodoviária Federal, Marcelo Moreno, citou que 380 policiais estão reforçando a equipe do Rio, que é composta de outros 745. "Eles permanecerão lá, de forma continuada, durante todo o ano", afirmou. O trabalho desta quinta-feira está focado principalmente na Rodovia Dutra, que liga Rio a São Paulo, mas também está sendo realizada nas BRs 101 e 040, além do Arco Metropolitano.

Carnaval.Para o carnaval no Rio, não há previsão de atuação das Forças Armadas nas ruas, para ajudar no policiamento. A informação é do chefe de Estado Maior das Forças Armadas, almirante Ademir Sobrinho. De acordo com ele, a exemplo do que ocorreu no Rio de Janeiro no Revéillon, outro grande evento da cidade, o governo federal acredita que as tropas da Polícia Militar do Estado tem todas as condições de dar a devida segurança à população, durante Carnaval.

"Toda esta operação não tem nada a ver com carnaval", disse ele, ao avisar que "não está previsto reforço de homens" das Forças Armadas para esse período. Consideramos que o governo do Rio tem "todas as condições" de oferecer segurança à população, como foi realizado no fim do ano.

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