Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Forças fazem varredura em presídio na Baixada

Operação usará cães farejadores e especialistas em detecção de metais

Constança Rezende e Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

22 Fevereiro 2018 | 03h00

RIO DE JANEIRO - Após ter passado por uma rebelião no domingo passado, 18, o Presídio Milton Dias Moreira, em Japeri, na Baixada Fluminense, recebeu nesta quarta-feira, 21, uma operação de varredura das Forças Armadas e de agentes da Secretaria da Administração Penitenciária. A intervenção federal no Estado também abrange o sistema prisional e, nessa área, deverá encontrar cadeias superlotadas e condições degradantes.

A operação em Japeri começou por volta das 8h30 e se estendeu até o início da tarde. De acordo com balanço divulgado pela secretaria, durante a varredura foram apreendidos 48 celulares, 205 invólucros de pó branco com característica de cocaína, 151 invólucros de erva seca picada e 3 tabletes pequenos de erva seca com característica de maconha.

A pasta também explicou que os militares em nenhum momento estabelecerão contato com os detentos, que serão retirados previamente, pelos agentes penitenciários, conforme os pavilhões forem sendo inspecionados.

“As Forças Armadas cooperarão por meio do emprego de cães farejadores e de especialistas em detecção de metais. Agentes da Seap farão vasculhamento e varredura tátil”, explicou a nota.

Cenário

Com 50,2 mil presos onde cabem 28,4 mil, o sistema penitenciário do Rio de Janeiro tem problemas que são comuns a cadeias de outros Estados brasileiros: além da superlotação, as dificuldades se espalham para a área de assistência médica e ressocialização, sem falar na disseminação do poder das facções criminosas. Três ficaram feridos durante a rebelião na unidade de Japeri.

Relatório do Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura do Rio, órgão vinculado à Assembleia Legislativa, detalhou os problemas do sistema. “Ao longo dos anos, acompanhamos o agravamento da superlotação do sistema prisional no Estado do Rio de Janeiro, que beira condições de insustentabilidade, em razão do alarmante aumento da população carcerária, da piora na infraestrutura das unidades prisionais, diminuição das equipes técnicas e de saúde”, detalha o documento de 2016. 

Renata Lira, integrante do órgão, disse que as condições são “as piores possíveis”. “Em unidades para 500, 700 pessoas, encontramos 1,5 mil, 2 mil, 2,5 mil. É um número muito grande de pessoas que prejudica todo o resto do cumprimento da pena, da alimentação ao acesso à saúde, que vem sendo precarizado.” 

Crime

Presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penal do Rio, Gutemberg de Oliveira disse que as facções nas unidades fluminenses atuam à semelhança do que ocorre em outros Estados. “As facções estão onde o Estado abre mão de exercer o poder. Nesse vácuo, o poder paralelo vai assumir e é isso que acontece”, disse. Apesar das críticas, Oliveira diz que o sistema fluminense está longe de cadeias mais problemáticas. “Mas ser melhor que as piores quando tudo é caótico não é tão bom.”

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