Juliana Stadnik / Agência AL/SC
Juliana Stadnik / Agência AL/SC

General da ativa será novo secretário da Segurança do Rio

Por questão hierárquica e disciplinar, interventor optou por escolher oficiais para os postos-chave

Felipe Frazão, enviado especial de O Estado de S. Paulo ao Rio

22 Fevereiro 2018 | 20h31
Atualizado 23 Fevereiro 2018 | 12h46

RIO - Interventor federal no Rio e comandante militar do Leste, o general de Exército Walter Souza Braga Netto anunciará na próxima terça-feira um general da ativa para comandar a Secretaria de Segurança do Estado. Embora ainda não haja confirmação oficial, o general de divisão Richard Fernandez Nunes é o mais cotado e deverá ser o sucessor do delegado da Polícia Federal Roberto Sá.

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O policial pediu exoneração da chefia da secretaria na semana passada, assim que o presidente Michel Temer decretou a intervenção na segurança do Estado. Braga Netto passou a semana em Brasília, em despachos com a cúpula das Forças Armadas sobre o planejamento da intervenção, e tinha volta prevista para o Rio para a noite desta quinta-feira.

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Sua agenda não foi divulgada. O interventor deve continuar com a rotina de reuniões fechadas hoje no Palácio Duque de Caxias, sede do Comando Militar do Leste. Ele decidiu manter seu gabinete no palácio durante o prazo da intervenção, até o fim deste ano.

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Auxiliares do interventor explicaram que ele passou os últimos dias levantando nomes para compor a secretaria. Por questão hierárquica e de disciplina, o militar optou por escolher generais para os postos-chave, afirmaram. 

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Assim, militarmente, o comando da secretaria manterá a estrutura de subordinação dos demais órgãos, uma vez que o Comando-Geral da Polícia Militar cabe a um coronel, posto mais alto da carreira, e os batalhões são comandados por tenentes-coronéis.

De acordo com assessores, Braga Netto não decidiu ainda os nomes abaixo do secretário nem se vai nomear generais para o comando direto da Polícia Militar e dos Bombeiros e para a chefia da Polícia Civil. Ele também avalia se vai convocar generais da reserva para cargos de confiança. 

Como boa parte da formação dos oficiais do Exército ocorre em instituições no Rio, o general deverá montar uma equipe com vivência na cidade.

Currículo

O general Richard Fernandez Nunes é natural do Rio de Janeiro. Desde setembro de 2016, é comandante da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), na Urca. Ele foi promovido de posto nesta quarta-feira, 21, por tempo no cargo, passando de general de brigada para general de divisão, o chamado “três estrelas”.

Nunes formou-se em Artilharia na Academia Militar das Agulhas Negras e Direito na Universidade do Estado do Rio (UERJ). Ele tem mestrado em Ciências Militares na ECEME e foi professor da Academia Militar de West Point, nos Estados Unidos. Em Madri, na Espanha, concluiu o Curso de Altos Estudos Estratégicos no Centro Superior de Estudos da Defesa Nacional. Serviu em missão das Nações Unidas na Guatemala.

Antes da ECEME, o general coordenou ações de defesa química, biológica, radiológica e nuclear na Copa das Confederações Fifa 2013. Também comandou a 14.ª Brigada de Infantaria Motorizada em Florianópolis (SC). Por três meses, comandou ainda o 5.º contingente da Força de Pacificação no Complexo da Maré, em 2015. 

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