Fábio Gonçalves/Agência O Dia
Fábio Gonçalves/Agência O Dia

Homem afirma à polícia ter matado 43 pessoas no Rio de Janeiro

Depois de preso por tentar esfaquear uma mulher, ele afirmou que 'ficava bem' ao assassinar as vítimas; polícia investiga depoimento

Tiago Rogero, O Estado de S. Paulo

11 Dezembro 2014 | 08h37

Atualizada às 20h45

RIO - Preso em flagrante na terça-feira à noite pelo assassinato de uma mulher, Saílson José das Graças, de 26 anos, afirmou à Polícia Civil ter matado 39 mulheres, três homens e um bebê de 2 anos nos últimos nove anos. Nesta quinta-feira, 11, o delegado titular da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), Pedro Medina, afirmou já haver indícios de pelo menos seis dos 43 crimes. A polícia investiga para saber se, de fato, Saílson cometeu a quantidade de assassinatos que relatou.

Dos seis casos em que já há indícios, quatro já tinham inquéritos abertos na DHBF, todos deste ano. Neles, Saílson teria atuado a mando da companheira, Cleusa Balbina, de 42 anos, também presa na terça-feira pelo assassinato de Fátima Miranda, de 62 anos. A vítima supostamente devia R$ 40 a Cleusa, que pediu a Saílson para matá-la. Os outros três casos foram por motivos semelhantes, de acordo com a polícia. Em troca, o matador recebia hospedagem, roupas e alimentação. Na casa, morava também o ex-marido de Cleusa, José Messias, que foi igualmente preso pela morte de Fátima. 

As demais 38 mulheres Saílson matou “por prazer”, afirmou nesta quinta-feira, 11, ao ser “apresentado” à imprensa na delegacia. “Não sei se foram 38 mulheres que ele executou”, disse o delegado da DHBF. “Mas tudo até agora nos leva a crer que pode ser uma história verídica. Ainda não encontramos nenhum indício de contradição.”

Além dos quatro casos já investigados pela Divisão de Homicídios, o delegado afirmou que, em mais dois, os detalhes fornecidos por Saílson bateram com registros antigos de outras delegacias, como o assassinato de mãe e filho há quatro anos. Apesar de ter dado detalhes desses seis casos, sobre outros Saílson foi mais evasivo e confuso, contou o delegado.
“Não queremos criar um factoide, por isso estamos checando tudo com calma”, disse.

Corpos. Calmo, o criminoso disse só ter se arrependido de matar o bebê, há quatro anos, que começou a chorar enquanto a mãe era assassinada e, por isso, também foi morto. Ele disse que não escondia os corpos - só o da primeira vítima, que matou quando tinha 17 anos.

Quando era contratado, matava a facadas. Quando era “por prazer”, enforcava. Saílson afirmou que ficava nervoso quando passava mais de dois meses sem matar ninguém. Suas vítimas eram mulheres brancas. “Negra da raça, não, porque é da família”, disse.

Tática. Para o delegado Pedro Medina, ele não havia sido preso até hoje por causa de suas táticas: ao cometer os crimes, relatou usar toucas ninja, por exemplo, caso houvesse câmeras de segurança por perto, e cortava as unhas das vítimas depois de enforcá-las, para que não fossem encontrados vestígios.

À imprensa, Saílson afirmou ser “calculista”: disse que ficava observando as casas das vítimas, seus hábitos, e procurava brechas, em um discurso muito parecido com o de filmes sobre assassinatos - que Saílson gostava de assistir, de acordo com sua página no Facebook.

Ele também afirmou que a companheira Cleusa sabia das mortes e que costumava dizer para ela, quando saía para cometer os crimes, que iria “caçar”. Ele já tinha quatro passagens pela polícia, mas nenhuma por assassinato.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.