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Hotel é fechado no Rio por envolvimento em exploração sexual

Clarissa Thomé e Thaise Constâncio - O Estado de S. Paulo

13 Junho 2014 | 16h 20

Restaurante também foi interditado em Copacabana; a ministra Ideli Salvatti apresentou ações de combate a esse tipo de violação

Atualizada às 20h41

RIO - Um dos principais pontos de encontro para prostituição na zona sul do Rio foi interditado pela Polícia Civil. A Balcony, que herdou a clientela da boate Help, fechada em 2009, teve o funcionamento suspenso por decisão da 29.ª Vara Criminal sob acusação de “lucrar indiretamente” com a exploração sexual infantil. Um hotel próximo, o Hotel Lido, conhecido como Lidinho, também foi interditado pelo mesmo motivo. Os locais costumam ser frequentados por estrangeiros, principalmente em grandes eventos, como aconteceu na Rio+20 e Copa das Confederações.

“Essa é uma decisão inédita no País. É a primeira vez que se consegue uma medida como essa em que o estabelecimento lucra indiretamente, já que não recebe porcentagem pelos programas”, afirmou o delegado Marcello Maia, da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), que conduziu as investigações. O episódio foi citado pela ministra Ideli Salvatti, da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República, como exemplo no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes em todo o Brasil.

A equipe de Maia resgatou 15 adolescentes, com idades entre 15 e 17 anos, que atuavam nos dois estabelecimentos. “A Balcony oferecia às adolescentes lanches pela manhã e à tarde para que elas ficassem por ali e atraíssem turistas. Elas ficavam ali até serem convidadas pelos estrangeiros para se sentarem à mesa, quando consumiam bebidas e comida. Eles não cobravam a identidade das meninas”, afirmou Maia. 

Combinado o programa, elas seguiam para o Lidinho. “Ali também não havia fiscalização da identidade nem preenchimento da ficha exigida pelo Ministério do Turismo. O local funciona como motel e por R$ 80 o quarto poderia ser ocupado”, contou o delegado. As adolescentes ganhavam entre R$ 100 e R$ 350 por programa.

As casas foram fechadas na quinta-feira, abertura da Copa do Mundo. O Estado não conseguiu localizar os proprietários da Balcony e do Hotel Lido.

Ações. A ministra Ideli Salvati, ao lado do representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Gary Stahl, apresentou em entrevista no Centro Aberto de Mídia, programas e ações para enfrentamento da violência no Brasil durante e após a Copa do Mundo. 

Entre as medidas, há diversas operações de repressão das polícias federal e estaduais e criação de leis protetivas como a que torna a exploração sexual de crianças e adolescentes em crime hediondo. Há também a Lei do Estrangeiro que impede que pessoas envolvidas com exploração sexual de menores de idade ou pornografia infanto-juvenil ingressem no País.

“A Copa é uma ótima oportunidade para que o governo e os órgãos de repressão aprimorem e aperfeiçoem as ações de proteção para nossas crianças e adolescentes”, disse a ministra. Ela acrescentou que a maioria das denúncias feitas ao Disque 100 parte das próprias crianças vítimas.

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