Investimento do Pan em segurança é 'salvação'

Em encontro com empresários, secretário admite falta de 15 mil policiais na capital

Alexandre Rodrigues, do Estadão

10 Julho 2007 | 21h15

Estrela de um jantar de empresários no Hotel Copacabana Palace, na zona sul do Rio, o secretário de Segurança do Estado, José Mariano Beltrame, fez na segunda à noite um retrato dramático das condições de trabalho de policiais civis e militares. O secretário admitiu que faltam 15 mil homens para um policiamento ostensivo satisfatório da capital, contou que quase metade da frota policial não pode deixar as garagens por causa das péssimas condições e definiu o Instituto Médico Legal (IML) como "um desserviço para a sociedade". Para Beltrame, os investimentos do Pan em segurança serão "a salvação" do Rio. Em seu esforço para conseguir a aprovação da sociedade para sua política de enfrentamento ao tráfico de drogas como forma de baixar os índices de criminalidade no Rio, o secretário aceitou o convite para ser o palestrante do primeiro jantar-debate do Grupo de Líderes Empresariais do Rio (Lide-Rio), que, nos moldes do grupo paulista, reúne dirigentes de empresas com faturamento acima de R$ 200 milhões. Sofisticação à mesa Enquanto os cerca de 140 empresários e convidados degustavam um filé de cordeiro regado a vinhos sofisticados no salão decorado com tulipas, o secretário fazia uma exposição dos principais objetivos de sua ação no Complexo do Alemão, uma das maiores favelas do Rio. Visivelmente desconfortável com a pompa, o secretário arrancou aplausos da platéia de endinheirados com seu discurso de endurecimento. Ele afirmou que a polícia não vai à favela para levar o confronto, mas não pode deixar de responder aos ataques dos traficantes. "Quem der tiro na polícia vai levar. E está sujeito a levar muito", afirmou, provocando a ovação. Beltrame se queixou da burocracia e da falta de investimentos na gestão pública e revelou que em várias delegacias do interior documentos ainda são datilografados. Segundo ele, o Estado não tem controle eficiente sobre os estoques de insumos, como munição, dificultando o planejamento. Beltrame contou que adotou como estratégia a distribuição do efetivo reduzido da PM de acordo com os registros de crimes, o que levou mais policiais à Zona Norte. Lembrou ainda que o resultado é a queda de vários delitos no subúrbio, como o roubo de carros, e enviou um recado aos que cobram a prioridade no policiamento para a zona sul. "Se não temos policiais, os senhores vão me desculpar, mas o efetivo vai ser empregado onde é prioritário", afirmou. Operação na Rocinha No entanto, a primeira pergunta feita pela platéia era fruto da preocupação dos empresários que têm filhos na Escola Americana sobre uma eventual operação na Rocinha, favela próxima à escola de elite. "Vamos procurar agir quando essas crianças estiverem dentro da escola ou antes de chegarem. Mas vamos ter que agir", disse o secretário, repetindo o que tem dito em relação às escolas públicas do Alemão. O secretário apresentou uma pesquisa do Ibope encomendada pelo governo do Estado que apontou a aprovação de 83% dos mil cariocas ouvidos à ação da polícia no Complexo do Alemão. Outros 87% aprovam a reprodução do modelo em outras favelas dominadas pelo tráfico. Segundo Beltrame, que se diz surpreso com a aprovação, traficantes influenciam diretamente 328 favelas no Rio. Na palestra, ele informou que a PM perde por ano 1.200 homens, entre mortos, feridos, aposentados e os desistentes. A maioria dos que abandonam a polícia é de insatisfeitos com os baixos salários. Para sensibilizar os empresários, ele contou que os policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), unidade de elite da Polícia Militar, que se arriscaram se infiltrando no Alemão na madrugada da megaoperação do último dia 27 ganham R$ 1.300. Beltrame ainda pediu ajuda aos empresários para sensibilizar bancos a financiar imóveis para a categoria. "Quem financia o quê para quem ganha R$ 750?", disse, referindo-se ao salário dos soldados da PM.

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