Iara Morselli/Estadão
Iara Morselli/Estadão

Luiza Brunet volta a ser musa da Sapucaí

Modelo, que estava afastada havia cinco anos do carnaval carioca, vai vestir fantasia de índia na tribo dos povos do Xingu da Imperatriz Leopoldinense

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

23 Fevereiro 2017 | 03h00

RIO - Quando desfilar na Marquês de Sapucaí no domingo, caracterizada como índia em destaque na tribo dos povos do Xingu da Imperatriz Leopoldinense, Luiza Brunet estará comemorando três décadas de desfiles e deixará para trás um afastamento de cinco anos da escola. Musa inequívoca da Era Sambódromo - inaugurado em 1984 -, Luiza e seu samba discreto e gracioso deixaram saudade na plateia cativa da passarela do samba. Ela avisa: voltou para ficar.

“Sempre amei carnaval, passei a minha adolescência no subúrbio, berço do samba. Vivi o carnaval de rua. Tenho saudades da avenida esplendorosa”, diz a modelo e empresária, que, aos 54 anos, prefere não revelar de antemão se sua fantasia será ousada ou mais comportada. 

“Vou sair em um lugar de destaque, representando uma guerreira indígena, a força da mulher, um cacique feminino”, resume, referindo-se ao enredo Xingu, O Clamor Que Vem da Floresta. Em 2012, seu último ano como rainha da Imperatriz, Luiza já havia aposentado o biquíni e saído em um vestidinho sem ousadia.

Este ano, o convite da verde- e-branca foi especial. Ela vem de um ano conturbado, em que foi vítima de agressão do ex-companheiro, o empresário Lírio Parisotto, que está processando. As origens sul-mato-grossenses - nasceu na pequena Itaporã, a 200 quilômetros de Campo Grande - também fortaleceram o chamado à avenida.

“Ela é uma índia, tem sangue indígena. É um momento muito propício para voltar para a Imperatriz. Luiza se afastou em função do relacionamento dela, e estamos muito felizes com sua presença, como destaque de chão”, conta Wagner Araújo, diretor de carnaval da escola há 28 anos.

A modelo foi rainha da Imperatriz por 17 anos; na Portela, ficou por 11. Também teve passagem pela Beija-Flor. Ela já foi criticada pela pouca destreza ao sambar, mas acabou alçada ao panteão das rainhas de bateria inesquecíveis pela beleza, os movimentos elegantes e a deferência para com a bateria.

Entre as rainhas de hoje, Luiza destaca Viviane Araújo, que é Salgueiro no Rio e, em São Paulo, Mancha Verde. “Ela é comprometida com a escola e a comunidade, sabe dominar. Eu a vi crescer na avenida. Além de ser querida, honesta e bela. Vivi, te amo! Em São Paulo, fiquei hipnotizada pela (apresentadora) Daniela Albuquerque: pura elegância e leveza. Sou fã.”

Madrinha. Luiza ressalta que o relacionamento com sua escola nunca desandou. “Entre mim e a diretoria nunca houve nenhum tipo de desconforto. Minha relação com todos sempre foi de carinho e respeito, como tem de ser.” 

“A madrinha tem muitas funções que antecedem o carnaval. Não tinha disponibilidade para os compromissos, que são muitos, importantes e começam três meses antes do desfile. Tenho família e negócios e não consegui cumprir a agenda. Muitas vezes deixei de ir aos ensaios na quadra”, conta a musa, substituída pela atriz Cris Vianna. Ela avaliou como “irrecusável” o convite do presidente da Imperatriz, o contraventor Luizinho Drummond, e do carnavalesco Cahê Rodrigues.

Na ausência de Luiza, chegou-se a cogitar que Yasmin Brunet, a filha modelo internacional, de 28 anos, poderia ser sua sucessora, mas... “Yasmin é tímida, todos os anos diz que vai sair. Espero de fato vê-la na avenida.”

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