Wilton Junior/ ESTADÃO
Wilton Junior/ ESTADÃO

Marcha das Mulheres Negras reúne centenas de pessoas na orla da zona sul do Rio

Movimento denuncia discriminação e violência contra essa parcela da população 

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

30 Julho 2017 | 15h40

RIO - Centenas de pessoas acompanharam neste domingo a III Marcha das Mulheres Negras, na Avenida Atlântica, na orla de Copacabana, zona sul do Rio. 

A manifestação tinha como objetivo de chamar a atenção para a desigualdade e a discriminação vividas diariamente por mulheres negras em todo o País.

"Queremos mais respeito, mais dignidade. Nossa luta é pela igualdade, pelo respeito às mulheres negras. A cada 24 horas, 13 mulheres negras são assassinadas neste País", disse Eliana Custódio, uma das organizadoras da marcha. 

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano passado, entre 2005 e 2015, o percentual de negro e negras universitários saltou de 5,5% para 12,8%. No entanto, esse o crescimento positivo não é igual quando a análise é a ocupação de vagas no mercado formal de trabalho. Mesmo mais graduados, os negros continuam com baixa representatividade nas empresas.

Nas organizações, a desigualdade entre brancos e negros aparece de forma gritante. Segundo dados de uma pesquisa do Instituto Ethos, realizada no último ano, pessoas negras ocupam apenas 6,3% de cargos na gerência e 4,7% no quadro executivo, embora representem mais da metade da população brasileira.

Neste contexto, a presença de mulheres negras, em comparação aos homens, é ainda mais desfavorável: elas preenchem apenas 1,6% das posições na gerência e 0,4% no quadro executivo. A situação só se inverte nas vagas de início de carreira ou com baixa exigência de profissional, como em nível de aprendizes (57,5%) e trainees (58,2%). 

Outro desafio da população negra é a disparidade salarial. Ainda que tenha diminuído nos últimos anos, os dados sobre desigualdade de renda continuam a registrar um desequilíbrio considerável entre brancos e negros no Brasil. 

A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE indica isso. No início de sua série histórica, em 2003, um negro não ganhava nem metade do salário de um branco (48%). Atualmente, pouca coisa melhorou. Fazendo a mesma comparação, em 2015, um negro passou a ganhar pouco mais da metade dos rendimentos de um branco (59%).

A atriz Taís Araújo ajudou a divulgar o evento.

 

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O evento foi convocado pelo Fórum de Mulheres Negras do Estado do Rio de Janeiro. A concentração teve início às 10h, na altura do Posto 4, e deve terminar às 17h na praia do Leme, com a realização de uma feira de mulheres afroempreendedoras e roda de samba do grupo O Samba Brilha.

 

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