Katia Marinho/Facebook/Divulgação
Katia Marinho/Facebook/Divulgação

Menina leva pedrada na cabeça na saída de culto de candomblé no Rio

Garota de 11 anos, que estava com um grupo de pessoas vestidas de branco, desmaiou e perdeu a memória momentaneamente

Carina Bacelar  e Danielle Villela, O Estado de S. Paulo

16 Junho 2015 | 09h15

Atualizada às 13h56

RIO - Uma menina de 11 anos foi atingida com uma pedrada na cabeça na Vila da Penha, na zona norte do Rio, na noite deste domingo, 14, ao deixar um culto de candomblé. O caso aconteceu por volta das 18h30, na Avenida Meriti, quando um grupo de oito pessoas, vestidas com trajes brancos voltava caminhando para casa após uma festa religiosa. 

A avó da vítima, a mãe de santo Katia Marinho, conta que dois homens que estavam do outro lado da rua começaram a insultá-los. "Eles gritavam: 'Sai demônio, vão queimar no inferno, macumbeiros', mas nós continuamos andando normalmente", disse. O grupo parou quando a garota foi atingida por uma pedra arremessada pelos agressores.

Fotos publicadas por Katia no Facebook mostram as manchas de sangue no chão e nos trajes usados pela menina. A criança chegou a desmaiar. "Ficamos naquele desespero para socorrê-la, mas eles continuaram nos insultando. Só foram embora quando o ônibus chegou", disse a mãe de santo.

A vítima foi socorrida e passa bem, mas ainda está muito abalada, segundo Katia. "Ela não quer sair no portão, não quer mais vestir branco, está morrendo de medo", conta a avó da menina.

Branco da paz. Após o ocorrido, Katia começou uma campanha pelo Facebook em que adeptos das religiões de matriz africana publicam fotos vestidos de branco e segurando um cartaz com os dizeres "Eu visto branco. Branco da paz. Sou do candomblé e você?"

"Todo mundo tem o direito de ir e vir, de fazer suas escolhas religiosas e de ser respeitado por isso", afirmou a mãe de santo.

O caso foi registrado na 38ª Delegacia de Polícia, em Irajá, no subúrbio do Rio, como lesão corporal e intolerância religiosa, pelo artigo 20 da Lei 7.716, que prevê multa e punição com prisão de dois a cinco anos para a prática, indução ou incitação da discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. 

Policiais realizam diligências para localizar imagens de câmeras de segurança e testemunhas que possam auxiliar na identificação da autoria do crime. A vítima e seus familiares já prestaram depoimento à polícia. Nesta quarta-feira, 17, a menina fará um exame de corpo delito.

O Rio de Janeiro foi o Estado com maior número de denúncias sobre discriminação religiosa em 2014, segundo dados da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, com base em registros no canal de denúncias Disque 100. Do total de 149 denúncias registradas em todo Brasil, 39 casos ocorreram no Rio e 29 em São Paulo. 

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