Fabio Motta/ Estadão
Fabio Motta/ Estadão

Multidão no Rio protesta contra Michel Temer e pede eleições diretas

Artistas, partidos de esquerda, movimentos sociais e entidades sindicais compareceram ao protesto

Fábio Grellet, Estadao Conteudo

28 Maio 2017 | 14h38

Uma multidão ocupa a Avenida Atlântica, na altura do posto 3, em Copacabana (zona sul do Rio), na tarde deste domingo (28) em protesto contra o presidente Michel Temer (PMDB) e por eleições diretas para ocupar a presidência. O evento, que ocupa um quarteirão da avenida Atlântica, entre as ruas Figueiredo de Magalhães e Siqueira Campos, teve shows musicais de cantores como Criolo, Teresa Cristina e Caetano Veloso. A organização estima o público em 50 mil pessoas. A Polícia Militar não divulgou número.

O ator Wagner Moura foi um dos mais aplaudidos e cortejada pelos fãs. "Nós, que no ano passado estivemos na rua contra o golpe que levou Temer à presidência, agora temos o segundo round. Não é possível Temer continuar, nem esse Congresso escolher seu substituto. Pode não ser ilegal, mas é imoral e ilegítimo. E o ovo da serpente são essas reformas trabalhista e previdenciária", afirmou o ator, durante discurso no palco.

A poetisa e atriz Elisa Lucinda também defendeu a saída de Temer: "Esse momento é crucial, nós estamos sendo violentados", afirmou, antes de declamar uma poesia que discorre sobre corrupção e falta de dinheiro para educação e saúde.

O cantor Caetano Veloso iniciou por volta das 17h sua apresentação. Enquanto o público pedia, em coro, "fora, Temer", Caetano cantou "Podres Poderes".

Cantores como Mart'nalia, Teresa Cristina e Pretinho da Serrinha já se apresentaram. Mart'nalia cantou "Madalena do Jucu", famosa na voz de seu pai, Martinho da Vila, inserindo o verso "fora, Temer/fora, Temer" em lugar de "Madalena, Madalena". 

Teresa Cristina perguntou ao público "vocês acham que o Aécio (Neves, senador afastado) será preso?" e emendou os versos "Acreditar, eu não, recomeçar, jamais" do samba "Acreditar", famosa na interpretação de dona Ivone Lara.

Políticos

"A primeira medida necessária é a saída de Temer", afirmou o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AM). Para o congressista, há duas formas de isso ocorrer: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar a chapa formada por Dilma Rousseff e Michel Temer ou a Procuradoria Geral da República denunciar Temer, o que dependeria de autorização do Poder Legislativo. "O mais rápido seria o presidente renunciar, mas não se pode esperar isso dele", afirmou.

Para o deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), mesmo se a eleição direta para presidente nesse momento não for instituída, a mobilização popular é importante. "Em 1984 não conseguimos aprovar (a eleição direta), mas o movimento popular acelerou o fim da ditadura e as conquistas da Constituição de 1988."

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) afirma ser possível prever hoje o desfecho da crise política. "Nós exigimos eleições diretas para presidente, mas não dá pra saber qual será a decisão do Congresso. Há uma proposta de emenda constitucional que será votada na próxima quarta-feira na Comissão de Constituição e Justiça. Mas tem outras variáveis: parece que o (deputado federal) Rocha Loures (flagrado recebendo R$ 500 mil) está negociando delação premiada. Então muita coisa pode acontecer", avaliou.

O deputado federal Alessandro Molon (Rede), autor do primeiro pedido de impeachment de Temer após a divulgação da delação dos donos da Friboi, afirmou que a mobilização popular pode convencer os congressistas a aprovar uma emenda constitucional que institua eleições diretas.

A regra prevista na Constituição para substituição do presidente nos dois últimos anos de mandato é por eleição indireta. "Essa não é uma causa de um partido político, de um segmento, essa é a melhor solução para o País". Molon acredita que o TSE vai cassar a chapa Dilma-Temer em 6 de junho. "Mas espero que não haja pedido de vista, que é a vontade de Temer", afirmou.

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