Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

'Nenhum excesso ficará impune', diz secretário de segurança do Rio

Em relação às mortes de pelo menos sete rapazes na Cidade de Deus, em operação policial, Roberto Sá disse que ainda não tem informações sobre as circunstâncias das mortes

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2016 | 18h33

O secretário de Estado de Segurança, Roberto Sá, disse neste domingo, 20, que ainda é cedo para se tirar conclusões a partir da informação de que não há marcas de bala no helicóptero nem nos corpos dos policiais mortos na Cidade de Deus, zona oeste do Rio de Janeiro. Sobre os sete corpos encontrados na comunidade, Sá disse não ter detalhes sobre as circunstâncias das mortes. E garantiu que "nenhum excesso será tolerado e nenhum excesso vai ficar impune". 

“A perícia na aeronave está sendo feita pela Aeronáutica. Até o momento não se encontrou nenhum tipo de perfuração, mas é muito cedo ainda para qualquer conclusão. A perícia vai levar mais tempo. Não se descarta nada até o presente momento. A Polícia Militar me garantiu: a aeronave não levanta voo se tudo não estiver em dia. Ou seja, em tese as manutenções estão todas em dia. A gente precisa aguardar o laudo da perícia (da Aeronáutica)", explicou Sá. 

Em relação às mortes de pelo menos sete rapazes na Cidade de Deus, em operação policial, o secretário disse que ainda não tem informações sobre as circunstâncias das mortes. As famílias denunciam que os jovens foram executados. “A Divisão de Homicídios não vai deixar sem respostas essas mortes dessas pessoas que foram encontradas na Cidade de Deus. Podem ter certeza, estamos aqui para preservar vidas. Nenhum excesso será tolerado, nenhum excesso vai ficar impune”, disse o secretário.

Letalidade. Sá defendeu um “novo pacto” para enfrentar a crise de segurança pública que afeta o País. Ele criticou as progressões de regime para presos que cometeram assassinatos. Sá participou do velório coletivo de três dos quatro policiais militares mortos na queda do helicóptero, no Batalhão de Choque, na tarde deste domingo.

No total, houve 124 PMs mortos ao longo de 2016 no Estado, dos quais 33 estavam em serviço. De acordo com o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança, houve 87 PMs mortos em 2015. Desses, 23 estavam trabalhando. 

“Ontem (sábado) eu começava lamentando as mortes de cinco policiais militares (quatro no helicóptero, um em operação policial no Méier), e hoje (domingo) eu começo lamentando as mortes dos nossos 124 policiais militares este ano. São 33 em serviço. É inaceitável o tanto de policiais que morre no Brasil”, afirmou Sá.

“Nós temos que decidir no Brasil o que nós queremos para o criminoso violento, aquele que tira a vida de alguém. Quanto tempo vocês acham que essa pessoa tem que ficar presa? Temos que rever tudo. Eu peço à sociedade para exigir discussão nacional sobre o que fazer com quem tira a vida dos outros”, disse o secretário. 

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