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ANDRÉ DUSEK|ESTADAO

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Copacabana

'Nunca temos 100% de segurança', diz ministro sobre zika na Olimpíada

Governo federal e prefeitura do Rio anunciam contratação de 2,5 mil funcionários para atuar no atendimento médico durante o evento

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Antonio Pita,
O Estado de S. Paulo

24 Março 2016 | 18h10

RIO - O governo federal e a prefeitura do Rio anunciaram na tarde desta quinta-feira, 24, o planejamento da operação de saúde durante os Jogos Olímpicos, em agosto. Estão previstas a contratação de 2,5 mil funcionários temporários para atuar no atendimento médico, além da disponibilização de 130 leitos em hospitais federais para casos de emergência, além de leitos disponíveis nas redes municipal e estadual. Atletas e integrantes delegações olímpicas terão atendimento em hospitais particulares conveniados à Rio 2016, organizadora do evento. 

De acordo com o ministro da Saúde, Marcelo Castro, a principal preocupação do governo é com a propagação do mosquito Aedes aegypt, transmissor da dengue e do vírus da zika. Segundo ele, o risco de epidemia é pequeno no período das competições, mas não há "100% de segurança". 

"Estamos em estado de emergência no mundo inteiro. Isso não acontecia no País desde 1917. Com um trabalho mais focado, estamos seguros de que as coisas ocorrerão na normalidade. Mas nunca temos 100% de segurança", afirmou Castro na apresentação do planejamento para o setor. 

O ministro avaliou que o governo federal tem feito o "esforço em nível máximo, como nunca se viu", para conter o mosquito e a epidemia de microcefalia associada ao vírus zika. "Em agosto a incidência do mosquito é menor. A previsão é de normalidade climática, e por isso não há risco. Estou seguro de que todos podem vir", completou. 

Para atender aos turistas e atletas, um público estimado de 1,4 milhão de pessoas, os governos federal e estadual, a prefeitura e o comitê organizador dividiram as responsabilidades na assistência à saúde. A estimativa é que sejam realizados até 22 mil atendimentos médicos relacionados aos jogos. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, em Londres, nos Jogos de 2012, foram 11 mil. "Dobramos o número para evitar contratempos", afirmou o secretário.

Segundo ele,  a previsão é que haja cerca de mil atendimentos por dia, além da operação normal das unidades de saúde. A operação especial terá um custo estimado de R$ 8 milhões, informou a prefeitura. 

Além desse valor, a comissão organizadora firmou convênios com duas redes particulares para atender a cerca de 15 mil atletas, jornalistas credenciados e integrantes de delegações dos países participantes. "Não teria condição de a rede pública atender a todos. A orientação foi a de que a Rio 2016 fizesse convênio com os hospitais", explicou Soranz, sem revelar os custos dos convênios. 

A prefeitura ficará responsável pelo atendimento básico nas unidades de saúde próximas aos locais de competição (Copacabana, Maracanã, Barra e Deodoro). Já o governo do Rio coordenará a logística de transferências de pacientes em caso de emergências, e a regulação das unidades hospitalares. Todas as ações serão coordenadas de dois Centros Integrados de Operações Conjuntas da Saúde, localizados no Rio e em Brasília, a mesma estrutura utilizada na Copa do Mundo. 

O governo federal divulgou ter investido R$ 42 milhões na compra de ambulâncias e que gastará mais R$ 30 milhões na operação dos 146 equipamentos durante os Jogos. Os veículos serão distribuídos entre diferentes cidades após as Olimpíadas. Também já foram contratados 80% dos 2,5 mil funcionários temporários para atuar nas unidades.

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