Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Ônibus e caminhões são incendiados em vias de acesso ao Rio de Janeiro

Segundo a Polícia Militar, ataques são represália a operação que prendeu 37 pessoas na Cidade Alta, em Cordovil, e apreendeu 32 fuzis

Constança Rezende, Fernanda Nunes e Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

02 Maio 2017 | 11h08
Atualizado 02 Maio 2017 | 23h30

RIO - Ao menos oito ônibus e dois caminhões foram incendiados em vias de acesso ao município do Rio de Janeiro nesta terça-feira, 2, o que levou o Centro de Operações do Rio de Janeiro (COR) a decretar estado de atenção na cidade a partir das 10h50. É possível, no entanto, que o número de veículos seja ainda maior. 

Oficialmente foram confirmados incêndios em dois pontos da Avenida Brasil - nas pistas laterais, na altura da passarela 17, no bairro da Penha, e outro na entrada do bairro de Bonsucesso, ambos na zona norte. Foram registrados também episódios no bairro de Cordovil, também na zona norte. 

"O estágio de atenção é o segundo nível em uma escala de três e significa que um ou mais incidentes impactam, no mínimo, uma região, provocando reflexos relevantes na mobilidade", informou o Centro de Operações.

Algumas regiões estão interditadas, enquanto equipes da Polícia Militar e dos bombeiros atuam nos locais. 

Em comunicado oficial, a Polícia Militar informou que criminosos teriam ateado fogo aos veículos em represália a um intenso confronto com criminosos na Cidade Alta, em Cordovil.

O porta-voz da PM, major Ivan Blaz, informou que já foram apreendidos 32 fuzis e três pistolas, e 37 pessoas foram presas, durante ação do 16º BPM (Olaria) e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na favela Cidade Alta, em Cordovil, na zona norte.

Além da Cidade Alta, as favelas Parque das Missões, Nova Holanda e Kelson's, em Olaria, às margens da Avenida Brasil, são vasculhadas pela PM. Moradores dessas comunidades teriam ateado fogo a pelo menos sete ônibus e um caminhão na Rodovia Washington Luís, na manhã desta terça-feira,  em apoio à facção criminosa que domina o tráfico na favela de Cordovil.

A favela foi atacada por traficantes do Comando Vermelho na madrugada desta terça-feira. Houve intenso tiroteio. A PM foi acionada e entrou na Cidade Alta de manhã. Acuados, os criminosos do Comando Vermelho teriam pedido a criminosos de outras favelas, que ateassem fogo aos ônibus. O objetivo, supostamente, seria distrair a polícia e facilitar sua fuga.

Entre os presos, há criminosos das duas facções. Eles foram levados para o 16º BPM e de lá seguirão para a Cidade da Polícia, na zona norte.  Nenhum dos participantes dos incêndios foi identificado nem preso. Seriam moradores se ligação direta com o tráfico.

"É impressionante o número de fuzis apreendidos hoje. Isso é reflexo (da maneira) como é permitida a entrada fácil de fuzis diariamente no Brasil, cruzando vários Estados. Até agora, só o Rio de Janeiro tem pagado a conta", disse Blaz. "Daqui a pouco, São Paulo, Minas Gerais e Centro-Oeste vão pagar."

Saque. Dezenas de pessoas saquearam um dos caminhões incendiados nesta terça na Avenida Brasil. Um carro da Polícia Militar estava parado na mesma via, uma quadra atrás, mas os policiais nada fizeram. Entre as cargas saqueadas, estavam muitas bisnagas de creme dental da marca Colgate. Os saqueadores, homens e mulheres, levavam tudo em sacolas plásticas. Também tentavam parar caminhões na via para saqueá-los. 

O caminhão saqueado estava próximo ao Mercado São Sebastião, na altura do bairro da Penha, na zona norte. Por ter sido mais danificado na parte da frente, a carga não foi prejudicada pelo fogo.  Ao perceber que  a reportagem do Estado os observava, saqueadores ordenaram que a equipe se retirasse e não fizesse fotos. “Toca o seu rumo, toca o seu rumo”, repetiram.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.