Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Operação contra roubo de cargas tem 11 presos no Rio

Outros 14 acusados estão foragidos; 25 mandados de busca e apreensão foram cumpridos na capital e na Baixada Fluminense

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2018 | 20h07

RIO - Uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro contra o roubo de cargas prendeu 11 suspeitos de integrar uma quadrilha especializada nesse tipo de crime na capital e na Baixada Fluminense, nesta quinta-feira, 11. São dez adultos (sete acusados pelos roubos e três indiciados por receptação dos produtos roubados) e um adolescente que também participaria dos assaltos. Outros 14 acusados já tiveram a prisão decretada. São considerados foragidos.

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A operação, chamada Homem de Ferro, mobilizou 300 policiais civis de diversas delegacias, além de um helicóptero e três veículos blindados (os chamados caveirões). Foi liderada pela 64ª Delegacia de Polícia, sediada em Vilar dos Teles, bairro de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

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Além das prisões, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão. Foram recuperados sete carros e um caminhão roubados. Foram apreendidas drogas, um simulacro de arma, dinheiro e cargas de tênis, relógios, pneus, rodas de magnésio e alimentos.

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A investigação, que durou seis meses, começou a partir da prisão de um assaltante. Descobriu-se depois que esse suspeito integrava a quadrilha - composta ao todo por cerca de 30 pessoas, algumas ainda não identificadas.

A quadrilha se dividia em três grupos. O primeiro escolhia os alvos, entre os caminhões que trafegavam pela Avenida Brasil, principal via de acesso ao município do Rio de Janeiro. Havia dois critérios para essa seleção: quando uma carga era encomendada por comerciantes-receptadores (que compravam a carga roubada) ou quando era considerada valiosa pelos criminosos. Para isso os ladrões avaliavam a identificação do caminhão e até seu peso.

"Eles tinham uma expertise nessa seleção (da carga a ser roubada) porque conseguiam verificar pelo peso do caminhão. Se o caminhão estava muito baixo ou muito alto o amortecedor, eles sabiam se o caminhão estava cheio ou vazio", contou o delegado Moisés Santana, da 64ª DP.

O segundo grupo verificava se havia policiais na região pela qual o caminhão estava trafegando. O terceiro praticava o assalto.

Segundo Santana, um dos principais alvos da operação é um criminoso chamado Rodrigo Lima, considerado líder da quadrilha e ainda não encontrado.

"Ele era o elo entre todos os integrantes do bando", afirmou o policial.

A polícia chegou à casa de Lima, onde foram apreendidas diversas mercadorias roubadas. A mulher dele, que estava sozinha no imóvel, foi conduzida coercitivamente para a delegacia e prestou depoimento.

"Com a ajuda dela conversamos com ele por WhatsApp e ele se comprometeu a se entregar", contou o delegado.

 

A quadrilha atuava havia cerca de um ano, diz a polícia, que não soube estimar quanto dinheiro o bando movimentou nesse período. Parte do lucro era entregue a facções criminosas que dominam favelas ao longo da Avenida Brasil, afirmou o chefe da Delegacia de Furtos e Roubos de Cargas do Rio, delegado Hilton Alonso. Ele também atuou na operação desta quinta-feira.

"O tráfico de drogas fomenta o roubo de cargas, porque cede equipamentos (armas) e fica com parte do lucro", afirmou.

Segundo a polícia, os ladrões de carga costumam atuar nos trechos da Avenida Brasil vizinhos de favelas dominadas por facções somente após receber autorização de líderes desses grupos.

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