Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Em operação, PM do Rio evita favelas para que inocentes não sejam baleados

Determinação foi dada pelo secretário de Segurança Pública; 10 pessoas, entre traficantes e policiais, foram presas

Constança Rezende e Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2017 | 08h55
Atualizado 06 Julho 2017 | 14h20

RIO - Dez pessoas, entre traficantes e policiais militares, foram presas em uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro em conjunto com a Polícia Militar, na manhã desta quinta-feira, 6, montada para combater o tráfico de drogas na Baixada Fluminense.

Também foram cumpridos 13 mandados de prisão contra criminosos que já estavam presos, e ainda assim mantinham seu poder de atuação. Batizada de Estado Paralelo, a operação seguiu normas mais rígidas determinadas pela Secretaria de Segurança para evitar tiroteios que vitimem inocentes.

O coordenador de inteligência da PM, coronel Antonio Jorge Goulart, disse que policiais não cumpriram mandados nas Favelas da Mangueira e Vila Cruzeiro, na zona norte, e Morro dos Prazeres, na região central,  para seguir a determinação do secretário de Segurança Pública, Roberto Sá, de que se tenha mais cuidado com disparos. O objetivo é preservar as vidas dos moradores. Goulart considerou a operação "exitosa".

A orientação de Sá se deveu à comoção gerada pelos recentes casos de assassinatos durante operações, como o da menina Vanessa Santos, de 11 anos, na terça-feira, 4. Ela foi alvejada em casa, na comunidade do Lins, zona norte.

"A nossa operação já estava programada antes da determinação do secretário. O que fizemos foi cancelar a nossa entrada nestas comunidades porque entendemos que não teríamos um bom custo-benefício. Resolvemos adiar para um momento em que os danos colaterais para estas comunidades fossem reduzidos", disse o coronel, em coletiva para a imprensa, no quartel da PM.

Os alvos da operação atuavam principalmente no Complexo de Favelas do Gandu, localizado em Japeri, na Baixada Fluminense. Foram recuperadas sete armas, entre fuzis, pistolas e uma submetralhadora. Também foram apreendidos 87 quilos de maconha, e cocaína ainda não contabilizada.

Os dois policiais presos não estavam entre alvos de prisão da operação: foram detidos em flagrante com uma arma de uso da Polícia Rodoviária Federal (PRF), um colete balístico de uso restrito e anotações suspeitas, que sinalizam que eles teriam ligação com o tráfico. 

Foram expedidos, ao todo, 31 mandados de prisão em função da operação, em comunidades espalhadas pelo Rio, como o Complexo da Maré e no Complexo do Chapadão, na zona norte do Rio. Na Maré, houve troca de tiros, mas nenhum policial ou morador foi ferido.

De acordo com a promotora Angélica Glioche, traficantes das facções Comando Vermelho (CV) e Amigos dos Amigos (ADA) foram presos porque ambas disputavam o controle do Complexo do Guandu.

"Essas pessoas exerciam o terror na comunidade para mostrar o seu poder, por meio da violência, extorsões e roubo e tiravam o sono da comunidade. Essas prisões foram importantes para desarticular essas quadrilhas", afirmou a promotora.

Controle do tráfico

Ao todo, 445 policiais participaram da operação, com 124 viaturas. Entre os denunciados estão o chefe da organização,  Ipojucan Soares de Andrade, conhecido como Coroa, que está preso desde agosto de 2015; o filho adotivo dele, Silvio Cesar de Jesus Esteves, o Silvinho; e Marcelo da Silva Guilherme, o Marcelinho dos Prazeres. Este último, mesmo preso desde outubro de 2013, assumiu o comando da quadrilha na região enquanto Coroa estava no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) e sem comunicação por telefone com o grupo fora do presídio no Complexo de Gericinó. Neste período, ele ainda manteve o controle do tráfico no Morro dos Prazeres. 

O Gaeco também obteve medidas cautelares de busca e apreensão nas casas de 17 policiais militares, em seus respectivos veículos, e nos armários dos batalhões e Destacamentos de Policiamento Ostensivo (DPOs) em que eles são lotados.  De acordo com a denúncia, há a suspeita de que PMs receberiam propina para não reprimir o tráfico de drogas nas comunidades de Engenheiro Pedreira e Japeri.

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