Operação no Rio prende milicianos que lucravam R$ 1 milhão por mês

Quinze pessoas já foram detidas, entre elas três policiais militares; 36 acusados estão foragidos

Tiago Rogero, O Estado de S. Paulo

10 Dezembro 2014 | 16h36

RIO - Os milicianos presos na operação Armagedom, realizada nesta quarta-feira, 10, lucravam cerca de R$ 1 milhão por mês com a exploração de serviços nas comunidades do Fubá e Caixa D'Água e no bairro Campinho, na zona norte do Rio. Segundo a polícia, os criminosos cobravam por serviços como transporte alternativo, gás, "gatonet" e exploravam bingos. 

Até o início da tarde, 15 pessoas tinham sido presas, entre elas três policiais militares, um deles soldado da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do complexo de favelas do Caju, na Região Portuária do Rio.

Além do PM da UPP, o soldado Carlos Roberto Bernardo, foram presos o cabo do 5º BPM (Praça da Harmonia), Bruno Guarany de Carvalho, e o 3º sargento Jorge da Silva Santos Júnior, lotado no batalhão do complexo da Maré, o 22º BPM. O 3º sargento é apontado pela Polícia como líder da milícia em Campinho e estava em liberdade condicional após ter já ter sido preso em outra operação, realizada como a desta quarta pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) da Polícia Civil.

A operação tentava cumprir 48 mandados de prisão. Dos 15 presos, três foram em flagrante; há, portanto, 36 acusados considerados foragidos. Entre eles há dois outros PMs da ativa: o cabo Rafael Ávila, lotado também no batalhão da Maré, e o soldado Diego Luiz Cavalcante, do 9º BPM (Rocha Miranda). Também estão foragidos o ex-cabo Sérgio Gurgel Machado e um agente da Guarda Municipal do Rio, Leonardo Fróes da Costa.

De acordo com o delegado titular da Draco, Alexandre Capote, os milicianos cobravam até pela venda de pipa e cerol para as crianças. "Nós percebemos que isso funcionava como marketing para mostrar para a comunidade quem eram os líderes". Os milicianos também torturavam suas vítimas, segundo delegado adjunto da Draco, Luiz Augusto Braga. "Temos muita dificuldade para investigar essa organização criminosa porque eles não deixam testemunhas, matam todas. É um grupo muito cruel".

A ação, que contou com 450 policiais, foi realizada em parceria da Draco com o Ministério Público do Rio, a Subsecretaria de Inteligência da Secretaria Estadual de Segurança, as Corregedorias das Polícias e da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária.

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