Operação que matou 12 será modelo de combate ao tráfico

Governador afirma que secretário de Segurança do Rio tem carta branca para agir 'nessa direção'

18 Outubro 2007 | 09h38

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB), admitiu que a operação que deixou um saldo de 12 mortos, entre eles um garoto de apenas quatro anos, na Favela da Coréia, em Senador Camará, na zona oeste do Rio, será adotada como modelo para outras ações da polícia civil no Rio. "O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, tem carta branca para agir e o meu estímulo para que trabalhe cada vez mais nessa direção", disse o governador.   Mãe chora morte do filho, com bebê no colo 'Bandido que não tem medo não conheceu o Bope', diz ex-comandante  Imagens da operação na Favela da Coréia      Sobre a operação, que contou com mais de 250 homens, o governador afirmou que a polícia estava lá "para defender os inocentes e livrar a comunidade da barbárie". Segundo ele, o combate será permanente. "Não tem mágica. É um trabalho que começou e não vai parar, de combate à militarização. São criminosos que deixam toda a cidade em pânico e temos que combatê-los."   O próprio secretário de Segurança admitiu que esse tipo de operação deverá ser adotado com mais freqüência pelas forças de segurança do Rio. "Os blindados estão cravejados de munição ponto 30. Não é possível que esse tipo de armamento e de pessoas sem compromisso com a vida, transitem pelo Rio de Janeiro com essa mercadoria. Não queremos usar a política do fuzil, mas vamos ao encalço do material e dos traficantes", afirmou.   A operação reuniu policiais civis de delegacias especializadas do Rio terminou com a morte de 12 pessoas - dez acusados de ligação com o tráfico, um policial e a criança. A ação durou sete horas e teve, durante todo o tempo, intensas trocas de tiros em diferentes pontos da favela, que é plana e se estende por cerca de cinco quilômetros às margens da estrada do Taquaral.   Poder de fogo   Quatro policiais ficaram feridos e 13 pessoas foram presas. A própria polícia ficou surpresa com o poder de fogo dos traficantes, já que em muitos pontos da favela policiais foram encurralados pelos traficantes e precisaram pedir reforços e munição. O próprio comandante da operação, delegado Allan Turnowski, teve de solicitar o apoio do helicóptero da Polícia Civil para conseguir sair do interior da favela. "A atuação do helicóptero tem que ser muito elogiada. Ele foi usado de forma a não permitir que os traficantes pulassem muros. Em um determinado momento, eles pousaram o helicóptero, desceram para a infantaria e voltaram para o helicóptero para sobrevoar a área", disse Turnowski.   Imagens da TV Globo mostram um dos momentos mais tensos da operação aconteceu por volta das 11 horas. Policiais que estavam no helicóptero trocavam tiros com traficantes que se escondiam dentro de casas, e fugiam para a mata, na tentativa de escapar da mira dos policiais. Durante a operação, foram apreendidos pela polícia uma metralhadora ponto 30, cinco fuzis, seis pistolas, quatro granadas e munição.    

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