Operações da PM deixam quatro mortos no Rio de Janeiro

No Morro dos Macacos, um ator ligado ao comandante-geral da PM fluminense foi assassinado por bandidos

Pedro Dantas, do Estadão, e Fabiana Marchezi, do estadao.com.br,

04 Outubro 2007 | 15h50

Duas operações da polícia em favelas do Rio de Janeiro deixaram um saldo de quatro mortos, nesta quinta-feira, 4. Na Vila Cruzeiro, na Penha (zona norte), dois criminosos morreram após trocar tiros com uma guarnição de 12 homens do 16º Batalhão de Polícia Militar de Olaria, segundo a polícia.   Durante a operação, foram apreendidos uma metralhadora, uma pistola, 108 sacolés de cocaína e quatro rádios transmissores. No Morro do Andaraí (zona norte), policiais do Serviço Reservado do 6º Batalhão de Polícia Militar da Tijuca trocaram tiros com dois homens que morreram a caminho do hospital. Na operação foram aprendidos 350 sacolés de cocaína e duas pistolas.   Regime de terror   O assassinato do dublê Claudio Luciano da Silva, de 33 anos, morto a tiros na manhã desta quinta, revelou o regime de terror em que vivem os moradores da favela Morro do São João e arredores, no Engenho Novo, na zona norte do Rio. Morador de uma vila na Rua Açaré, um dos acessos à favela, Silva acordou às 6h30 e foi pagar a pensão à ex-mulher que mora no morro. Na Rua Acaú, encontrou três bandidos do Morro dos Macacos, vizinho ao São João, que o abordaram. Ele alegou ser trabalhador, mas, armados de fuzil, os três insistiam em levá-lo.   Houve discussão, o dublê trocou socos com um dos criminosos e foi ferido com um tiro na perna. Ao tentar correr, foi atingido com mais cinco tiros nas pernas, barriga e cabeça. Peritos recolheram no local mais de 18 cápsulas de fuzil calibre 762 disparados pelos assassinos. Um deles, conhecido como "Baby", teria 12 anos, segundo os moradores.   Silva morava na mesma vila em que foi criado e viveu até os 20 anos o atual comandante da Polícia Militar do Rio, o coronel Ubiratan Ângelo, que era amigo do pai do dublê e considerava Silva como um sobrinho, segundo os moradores. Perto do portão da vila onde morava o coronel, as paredes exibem marcas de tiros, entre elas a fachada da Escola Municipal Mário Augusto Teixeira de Freitas, situada aos pés do morro.   Os alunos dizem que os professores querem sair do local. Com medo de balas perdidas, uma igreja evangélica tapou as janelas com cimento. De acordo com a polícia, a região vive conflagrada porque traficantes do Morro dos Macacos ligados à facção Amigo dos Amigos, constantemente vão até ao Morro São João para trocar tiros com os rivais do Comando Vermelho e humilhar os moradores.   "Vivemos em toque de recolher entre 19 horas e 8 horas. Os traficantes proibiram andar pela calçada neste horário e nem sei o motivo. Quem chega da carro deve piscar o farol e acender a luz interna", contou um dos moradores. Ele lembrou que este ano uma mulher foi morta e esquartejada por ter reagido à abordagem de traficantes. "Eles ficam se drogando a noite inteira e, quando descem, barbarizam, agredindo e assaltando moradores. Eles chamam isso de enquadrar", revelou uma mulher.   Policiais, que foram até a favela utilizando o carro blindado conhecido como "Caveirão", confirmaram os relatos dos moradores. Toda a movimentação dos policiais era acompanhada por homens armados no alto dos morros São João e dos Macacos. Armados com pistolas, as duas quadrilhas reagiam com indiferença a presença dos policiais, exibiam pistolas, sacos de entorpecentes, tomavam cerveja e trocavam provocações com os rivais por rádios-transmissores.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.