WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Parquinho infantil de Ipanema fecha mais cedo nos fins de semana por causa de arrastões

Limitação do horário de funcionamento do Ipa Bebê deve ocorrer até o fim do verão; administradora diz que a integridade de quem frequenta o espaço está ameaçada com os assaltos na região

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

20 Janeiro 2015 | 16h39

RIO - Até o fim do verão, o Ipa Bebê, parquinho infantil nas areias de Ipanema frequentado principalmente por moradores do bairro, vai funcionar em horário limitado, nos fins de semana, por causa dos assaltos nas areias: em vez de abrir das 8 às 17 horas, encerrará as atividades ao meio-dia, quando a praia começa a ficar mais cheia. De segunda a sexta, como o movimento é menor, os brinquedos estarão disponíveis até as 20 horas.

A limitação no horário, voltada à segurança dos frequentadores, está dividindo opiniões entre os pais e suscitando comentários preconceituosos no Facebook. No perfil do Ipa Bebê, o aviso foi dado no dia 16. A maior parte dos frequentadores endossou a decisão da administradora, Viviane Oliveira, que criou o Ipa Bebê há dez anos e o mantém com a colaboração de pais associados. Ela recebeu mais de 50 e-mails apoiando o novo horário.

“Conheço e valorizo o esforço das nossas polícias, mas também sei das limitações das mesmas e o que temos infelizmente é muito preocupante. Sou responsável por um espaço onde a integridade está ameaçada. A integridade de dezenas de crianças do asfalto, da comunidade, não interessa da onde sejam, são crianças e famílias, e não vou ser responsável por ter sido omissa nunca”, ela escreveu no Facebook.

Um usuário retrucou: “A solução é agir na causa: acabar com o antro de promiscuidade, violência e ignorância que é a favela e construir bairros populares que sejam ao ambiente de criação de valor, e principalmente, que sejam o primeiro degrau para o favelado mudar de vida e ascender socialmente, sem ter que garantir o dia a dia com roubos do tipo arrastões”.

Na mesma linha, outra frequentadora disse: “A praia não está sendo frequentada por moradores e a falta de educação da população está generalizada! Projeto verão sem arrastão!” A página tem também menção à estação do metrô da Praça General Osório, perto dali, por onde chegam banhistas vindos de bairros da zona norte e da Baixada Fluminense.

O Ipa Bebê fica bem perto do Posto 8, no começo de Ipanema, quase no Arpoador, em frente ao ponto onde vêm acontecendo assaltos aos fins de semana. A dinâmica, em geral, é assim: alguns roubos pontuais acontecem nas areias, de cordões, celulares e carteiras. As vítimas perseguem os assaltantes, muitas vezes, menores de idade. Os banhistas se assustam e começa uma correria generalizada, dando a impressão de um arrastão.

A Guarda Municipal é acionada e usa cassetetes contra ladrões e suspeitos (em sua maioria, jovens negros moradores de favelas), o que piora a sensação de medo. O resultado: famílias saindo às pressas da praia, carregando crianças, que choram, em pânico.

Já houve casos também de roubos de cordões de ouro dentro da água. “Quando sai notícia de arrastão, a frequência cai muito no fim de semana seguinte. Hoje (ontem), feriado e 40 graus, era para isso aqui estar lotado, mas estou com mais de 40 cadeiras encalhadas”, reclamava ontem o barraqueiro José de Carvalho, 19 anos de praia. “Não tem motivo para pânico: basta não se juntar à correria, ficar parado e esperar passar.”

Mãe de dois filhos pequenos, a dentista paulistana Rachel de Mattos Garcia, de 36 anos, lamentou ontem o fato de o Ipa Bebê fechar mais cedo. “Acho uma judiação. Frequento a praia aqui nesse ponto e fico tranquila. Mas prefiro não vir no horário de pico.”

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