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Pastor grava vídeos contra delegado que atirou em fiel no Rio

Tupirani, da Geração Jesus Cristo, critica práticas religiosas, xinga e ameaça Henrique Pessoa, que investiga crimes de intolerância

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Roberta Pennafort,
O Estado de S. Paulo

04 Setembro 2014 | 11h54

RIO - O pastor Tupirani da Hora Lores, da Igreja Geração Jesus Cristo, aparece em mais de 7.000 vídeos no YouTube falando de sua religião. Ele critica outras práticas religiosas, xinga e ameaça o delegado Henrique Pessoa, que investigou crimes de intolerância religiosa no Estado do Rio de Janeiro e é perseguido por ele na internet há pelo menos seis anos. 

O pastor, que se autointitula "o primeiro pastor preso pela ditadura democrática do Brasil", chama Pessoa de "delegadinho de merda", "uma pessoa sem escrúpulos, sem honra, sem dignidade".

Nesta quarta-feira, 4, uma audiência no 5º Juizado Especial Cível, em Copacabana, na zona sul da capital fluminense, terminou em confusão quando Pessoa atirou em um fiel.

As desavenças entre o delegado e o pastor começaram em 2008, quando quatro integrantes da igreja invadiram um centro espírita, quebraram imagens e agrediram frequentadores. Na ocasião, Tupirani foi preso. Desde que saiu, publica vídeos atacando o policial.

Em vários deles, faz ameaças ao delegado. "Você é delegado há 19 anos, mas eu sou crente há 30: vai conseguir me deter? Eu expulso demônio, ponho satanás para correr, tenho confrontos com a pomba-gira, tranca-rua, exus, preto-velho, com essa raça toda, há 30 anos", disse o pastor. "Tu não é nada, eu te engulo. Tu não vai mais a canto nenhum, tua vida vai girar em torno da minha presença."

Tupirani também fala mal da Justiça. "É o diabo que governa o sistema judiciário."

Os vídeos, de cultos, pregações ou individuais, contêm ofensas contra a Igreja Católica, igrejas evangélicas, como a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), o espiritismo, o islamismo, a umbanda e o candomblé. Em um deles, Tupirani queima o que parecem ser livros e revistas referentes a Edir Macedo, fundador da Igreja Universal, e à doutrina espírita. 

"O Censo diz que o Brasil tem milhões de evangélicos, mas o Censo não tem condição de dizer isso. Eu tenho condições de dizer quem é evangélico: é aquele que está disposto a morrer pelo evangelho", afirmou Tupirani. "Essas falsas igrejas, evangélicas, católicos, espíritas, no século 21 todas terão um fim. Tudo isso vai ser pisado e resumido a pó, porque Jesus Cristo vai implantar seu reinado milenar", profetizou.