MARTHA SANTHUZA/MEIONORTE.COM
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Paz no Alemão não chegará em 10 ou 15 anos, afirma Pezão

Governador diz que trabalho nas UPPs é ‘permanente’; menino de 10 anos morto a tiros foi enterrado nesta segunda no Piauí

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

06 Abril 2015 | 20h32

RIO - O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) admitiu nesta segunda-feira, 6, que a paz no Complexo do Alemão, onde quatro pessoas foram assassinadas em dois dias da semana passada, não acontecerá em “8, 10, 15 anos”. Segundo ele, o trabalho das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) é um “processo permanente”. 

“Foram 20, 30 anos de abandono dentro dessas comunidades. O próprio Alemão era a central do crime organizado. Não vai ser em 8, 10, 15 anos que vamos levar a paz”, disse Pezão nesta segunda à Rádio Globo.

Na tarde desta segunda, oito policiais do Batalhão de Choque – que realizavam patrulhamento no Complexo do Alemão na quinta-feira, quando o menino Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, foi morto – compareceram na Divisão de Homicídios (DH), na Barra da Tijuca, para prestar depoimento. 

Policiado pelos batalhões de Operações Especiais (Bope) e de Choque desde quinta-feira, o Alemão recebeu nesta segunda o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (PT-RS), que criticou a falta de ações sociais nas favelas e de assistência do governo estadual às vítimas da violência. Ele disse que houve erros de “planejamento e implementação” de UPPs no complexo.

Segundo o deputado, não há interlocutores do Estado nas comunidades, só PMs, que relataram trabalhar sob forte pressão. Pimenta reclamou que falta apoio psicológico aos colegas de escola de Eduardo e à família de Elisabete Moura Francisco, de 40 anos, baleada no rosto dentro de casa na terça-feira. “Isso é a prova inequívoca da banalização da violência.”

Uma audiência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara será marcada no Alemão. Segundo o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), a situação do complexo será pauta da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada em 26 de março para investigar as mortes de jovens negros e pobres. “Faremos uma oitiva no Alemão.”

Em nota, a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) informou haver “diversos projetos sociais nas comunidades do complexo realizadas em parceria com as UPPs”. Sobre a ausência do Estado nas comunidades, a CPP disse que “em março foi aprovado decreto do governador que regulamenta o Programa de Polícia Pacificadora para aprimorar os processos de monitoramento e avaliação”. 

Enterro. O corpo de Eduardo de Jesus Ferreira foi velado na casa de uma tia, na tarde desta segunda, em Correntes, no Piauí, e enterrado no fim do dia no cemitério local. A mãe do garoto, Terezinha de Jesus Ferreira, afirmou que está recebendo ameaças de morte, mas que não se calará sobre a morte do filho. Ela não especificou de quem partiram as ameaças.

Terezinha voltou a dizer que o filho não foi morto por bala perdida. “Vou lutar até o fim para ver esse policial atrás das grades”, afirmou. A mãe do menino disse que voltará ao Rio para acompanhar as investigações e que, depois, vai morar no Piauí. / COLABOROU LUCIANO COELHO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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