PM do Rio incitou violência contra manifestantes em 2013, diz revista

Comandante do Batalhão de Choque teria enviado mensagens a oficiais por aplicativo de celular estimulando práticas nazistas

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

04 Janeiro 2015 | 11h44

O comandante do Batalhão de Choque da PM do Rio, coronel Fábio Souza, teria incitado a violência a manifestantes durante a onda de protestos de rua de 2013, mostra reportagem da revista Veja dessa semana, além de demonstrado admiração pela doutrina nazista e provavelmente se envolvido num ataque ao condomínio onde mora um outro oficial, seu desafeto. 

Num grupo de WhatsApp (aplicativo gratuito de mensagens pelo celular), Souza, segundo a Veja, disse que os black blocs, considerados violentos e baderneiros, deveriam ser mortos pela PM: “7,62 (referência ao fuzil desse calibre), mata eles tudo”, escreveu. “Porrada, paulada, tonfada (pancada com um instrumento chamado tonfa, semelhante a um cassetete), fuzilzada, mãozada”. Em outra mensagem, ele se vangloriou: “Na última manifestação, dei de AM640 inferno azul (lançador de bomba de gás) nas costas de um black bobo, no máximo 30 metros!!! Que orgulho!!!”

Outra mensagem divulgada pela revista e atribuída ao coronel faz menção a um despacho de umbanda deixado na porta do gabinete do tenente Márcio Rocha, que substituiu Souza por um período no Batalhão de Choque e, assim, teria virado seu alvo. O objetivo seria intimidá-lo: “Faltou a galinha preta, as guias, as velas do Flamengo, a pipoca e aquela batata cheia de espeto”. A portaria do prédio de Rocha foi atingida por tiros disparados por dois homens numa moto em janeiro de 2014, uma semana depois do episódio do despacho.

Numa outra postagem, Souza louva o “padrão Alemanha de 1930” e diz: “Vai ter virada e vingança. 2014, a virada. 2015, a caça aos infiéis insurgentes ladrilhos malditos indignos”.

A PM se pronunciou sobre a investigação quanto ao ataque à casa de Rocha: “O Inquérito Policial Militar (IPM) está em andamento, na fase de cumprimento de exigências feitas pelo Ministério Público. O encarregado é o coronel Gilson Chagas, comandante do 12º BPM (Niterói). Todos os oficiais citados nos fatos já depuseram na qualidade de testemunhas.” Sobre a troca de mensagens pelo WhatsApp, não foram feitos comentários.

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