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PMs de UPP da zona norte do Rio são presos, acusados de estupro

Tiago Rogero - O Estado de S. Paulo

06 Agosto 2014 | 08h 48

Quatro foram detidos em flagrante por abusar de três mulheres, uma delas menor de idade; outros dois foram presos administrativamente

Atualizada às 17h38

RIO - Quatro policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Jacarezinho, na zona norte do Rio, acusados do estupro de três mulheres na comunidade - entre elas uma menor, de 16 anos - foram presos em flagrante na madrugada desta terça-feira, 5. O secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, informou nesta quarta-feira, 6, que vai pedir a expulsão sumária dos militares. A polícia civil tenta ainda identificar outros dois PMs da UPP que também teriam participado do crime.
Com a expulsão, que ainda deve levar alguns dias, os PMs responderão a processo na Justiça Comum. Como até esta quarta ainda integravam o quadro da PM, estavam detidos na Unidade Prisional da polícia, em Benfica. Eles foram indiciados pelo artigo 232 do Código Penal Militar (constranger mulher a conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça), além de abuso de autoridade. 
Segundo o delegado Niandro Lima, titular da 25ª DP (Engenho Novo), as investigações continuam para “identificar outros dois policiais militares envolvidos no crime de violência sexual”. Já identificados, os soldados Gabriel Machado Mantuano, Renato Ferreira Leite, Wellington de Cássio Costa Fonseca e Anderson Farias da Silva, todos da UPP do Jacarezinho, foram presos em flagrante na terça-feira à noite pela 25.ª DP. Anderson também responderá pelo roubo do celular de uma das vítimas.
Logo após o crime, as três mulheres (de 16, 18 e 35 anos) foram até a delegacia. Lá, contaram que tinham ido ao Jacarezinho para “resgatar” a irmã da mais velha, que seria usuária de crack. Não conseguiram e foram visitar uma amiga. Na casa dela, foram surpreendidas por seis PMs, que teriam perguntado por drogas e as agredido. As mulheres foram levadas então para um barraco e violentadas.
Sem especificar o nome, o corregedor-geral da PM, coronel Sidney Camargo, afirmou nesta quarta que um dos PMs presos confirmou o crime. “Dois deles se negaram a falar. Um outro disse que estava no local, mas que não participou de fato algum; e outro disse que não participou do fato, mas confirmou que teria visto outros policiais participar do crime”,
disse Camargo.
Reconhecimento pessoal. Cerca de 60 PMs da UPP do Jacarezinho que estavam de plantão na madrugada do crime foram levados à delegacia na terça-feira. “Divididos em grupos, eles foram submetidos ao reconhecimento pessoal pelas três mulheres e também por testemunhas”, informou a polícia. Os quatro presos, segundo a polícia, foram reconhecidos tanto por vítimas
quanto por testemunhas. 
As vítimas fizeram exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal. A casa indicada por elas foi periciada e, lá, foi colhido material para exame de DNA (um dos PMs não teria usado preservativo). Em nota, o secretário de Segurança pediu “desculpas às vítimas e aos familiares por um crime que causa repulsa” e afirmou que, “infelizmente, a polícia não está imune de admitir em seus quadros pessoas que vão trair a missão de servir e proteger”.

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