Procurados/Polícia Civil
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Polícia confirma que Rogério 157 mudou de facção e agora é do CV

Saída da Amigos dos Amigos seria uma forma de o traficante se manter no controle do tráfico da Rocinha

Constança Rezende e Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2017 | 17h39
Atualizado 02 Outubro 2017 | 19h17

RIO - A Polícia Militar do Rio de Janeiro encontrou nesta segunda-feira, 2, pichações em muros da Favela da Rocinha, na zona sul, que confirmariam que Rogério 157 mudou de facção criminosa. Para a corporação, as inscrições com os dizeres "CV 157" indicariam que Rogério saiu da Amigos dos Amigos (ADA), que tradicionalmente controlava o lucrativo comércio de drogas na Rocinha, e foi para o Comando Vermelho (CV), a facção mais antiga e com maior penetração em comunidades do Rio.

A hipótese vem sendo investigada desde a semana passada. Seria uma forma de Rogério se manter no controle da quadrilha da favela. O acordo de Rogério teria sido "costurado" dentro do sistema penitenciário por chefes do CV, e o traficante já teria contado com apoio da quadrilha para se esconder.

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'Hora dele vai chegar'

Também nesta segunda-feira, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) disse que a hora de Rogério, que está sendo procurado em várias favelas do Rio, "vai chegar".  

"A gente já prendeu tantos chefes do tráfico. A hora dele vai chegar, não tenha dúvida que a Polícia Militar e a Polícia Civil, com a inteligência da Polícia Federal, mais cedo ou mais tarde, vão prendê-lo", afirmou o governador.

Ele disse que a ajuda dos militares das Forças Armadas, que ficaram uma semana na comunidade, "tinha limites". "Eu quero sempre mais (permanência das Forças). Mas eles têm seus limites, seu orçamento. Eles também não podem ficar fazendo o trabalho de policiamento da polícia." 

Se a mudança de facção for verídica, será mais um ingrediente no violento confronto entre as quadrilhas que se instaurou na Rocinha no último dia 17, quando o bando de Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, ex-"chefe" de Rogério, mandou que comparsas invadissem a favela para retirá-lo do domínio.

Nesta segunda-feira, foram apreendidos munições de fuzil, uma granada e uma emulsão explosiva na favela, que segue com reforço da Polícia Militar - os 500 militares das Forças Armadas foram substituídos por PMs. 

Secretaria

Ex-secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, defendeu a sua gestão na pasta, nesta segunda-feira. Depois de prestar depoimento à Justiça como testemunha de defesa do ex-governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), Beltrame disse que o que ele fez "está aí para as pessoas verem" e agora "é muito fácil falar".

"O que eu tinha que fazer e falar eu fiz durante esses dez anos. Agora, é muito fácil as pessoas falarem. Dediquei dez anos da minha vida ininterruptos a isso e de uma maneira muito intensa, sem fim de semana, sem priorizar a família, e acho que a gente conseguiu resultados que, pelo menos, geraram esperança na população", disse. 

Beltrame também falou sobre o panorama da violência atual e o anterior. "O que nós produzimos, fizemos, e aquilo que eu falei, eu fiz e mostrei durante dez anos, está aí para vocês olharem. Os índices de criminalidade estão aí para fazer essa comparação, não sou eu aqui que vou fazer essa comparação (se a violência está melhor ou pior)", afirmou.

O ex-secretário também defendeu o trabalho de seu sucessor, o secretário Roberto Sá. "Ele tenho certeza de que ele está fazendo o possível e o impossível pra manter o nosso legado", declarou. Sobre as justificativas para os índices de violência, Beltrame apenas respondeu que "tem muito a ver com a questão financeira", referindo-se à crise do Estado. 

O ex-secretário também defendeu o apoio das Forças Armadas à segurança no Rio. "Eu tenho um apreço pelas Forças Armadas e acho que têm condições de ajudar, sim, é só uma questão de sentar e conversar", afirmou.

Ele falou com jornalista após depor como testemunha de defesa de Cabral na 7ª Vara Federal Criminal, no processo em que este responde por fraudes nas licitações das obras do PAC das Favelas e do Maracanã. 

"A gente pé arrolado para essas coisas e, como cidadão, eu vim tranquilamente cumprir meu dever aqui", justificou Beltrame. 

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