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Reprodução/Instagram

4 homens são presos acusados de racismo contra Taís Araújo

Durante operação, polícia encontrou material pornográfico envolvendo crianças de 1 a 5 anos em casa de suspeito e o deteve

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Constança Rezende,
O Estado de S. Paulo

16 Março 2016 | 09h20

RIO - A Polícia Civil prendeu nesta quarta-feira, 16, quatro homens acusados de coordenar os ataques raciais contra a atriz da TV Globo Taís Araújo no Facebook. A operação feita pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) em seis Estados mapeou um grupo que praticava ofensas virtuais de cunho racista e de intolerância nas redes sociais.

Foram cumpridos mandados de prisão contra Pedro Vitor Siqueira da Silva, em Sertãozinho (São Paulo), Thiago Zanfolin Santos Silva, em Brumado (Bahia), Francisco Pereira da Silva Junior, em Navegantes (Santa Catarina), e Gabriel Sanpietri, em Curitiba (Paraná). Este já cumpria pena de custódia em casa por cometer crimes de pornografia infantil na internet.

Um quinto homem, que era alvo de um mandado de busca e apreensão por materiais eletrônicos, também foi preso em flagrante. Willian dos Santos Triste portava um material eletrônico de 1,5 gigabyte de conteúdo pedófilo e imagens de crianças de 1 a 5 anos sendo estupradas. Ele foi preso em flagrante.

Todos os presos são maiores de idade e vão responder por formação de quadrilha, pedofilia e racismo. Pedro Vitor, Thiago Zanfolin e Francisco Pereira serão transferidos para o Rio. Outros dez mandados de busca e apreensão também foram cumpridos. A operação foi feita com o apoio da Secretaria Nacional de Segurança Pública e das polícias civis dos respectivos Estados. Os investigadores não descartaram a possibilidade de novas prisões.

De acordo com o delegado da DRCI Alessandro Thiers foram constatados indícios fortes de que o ataque contra a atriz foi premeditado e articulado entre um grupo criado com a exclusiva intenção de disseminar o racismo e o ódio, em perfis, páginas e contatos de WhatsApp. Nas convocações para os ataques, os incitadores criam grupos secretos e temporários para potencializá-los e chegam a informar maneiras de mascarar a conexão para tentar dificultar o rastreamento.

Além disso, as investigações concluíram que a quadrilha tinha estrutura organizacional definida e os administradores selecionariam premeditadamente as vítimas. Quem desrespeitasse essas ordens, era expulso da “sociedade”. 

Segundo o delegado, há indícios de que a quadrilha também tenha participado dos ataques raciais nos perfis do Facebook das atrizes da TV Globo Sheron Menezes e Cris Vianna e da jornalista do Jornal Nacional Maria Júlia Coutinho.

Ódio. “Eles demonstravam uma afinidade de pensamento para disseminar o ódio. Geralmente, escolhiam como alvo pessoas que estavam na moda, como protagonista de novela, para as ofensas terem mais repercussão. Mas tudo na internet deixa rastro, e a polícia não vai tolerar essas ações”, disse Thiers. 

Segundo ele, a atitude de Taís de registrar a ocorrência do crime na polícia logo após o crime foi fundamental para a operação. “Temos de pedir que todos que foram alvo desse tipo de crime também registrem o ocorrido, para que possamos chegar até essas pessoas.”

Taís Araújo comemorou a ação. “Fico feliz que a justiça tenha sido feita. Espero que crimes deste tipo contra qualquer mulher negra não fiquem impunes”, afirmou. Ela teve o seu perfil no Facebook atacado em 31 de outubro de 2015 e reagiu anunciando que acionaria a polícia.

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