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Polícia faz operação na Maré em busca do traficante Rogério 157

Moradores relataram intensas trocas de tiros na favela

Ana Paula Niederauer, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2017 | 08h40

Equipes com 60 policiais dos Batalhões de Operações Policiais Especiais (BOPE), do Comando de Operações Especiais (COE), do Choque e de Ações com Cães (BAC) realizam nesta quinta-feira, 28, uma operação no Complexo da Maré, zona norte do Rio.

A operação é em busca de Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, chefe do tráfico na Rocinha, zona leste do Rio.

Segundo denúncias, o chefe do tráfico da Rocinha teria fugido para a favela da Maré.

Moradores relataram nas redes sociais intensas trocas de tiros na comunidade. O "caveirão" (carro blindado) da PM entrou na favela na manhã desta quinta-feira." Fiquem em casa,avisem no trabalho a situação. A vida vale mais". "Complexo da maré pede paz", alertam moradores nas redes sociais

A ação é um desdobramento do cerco que é feito há mais de uma semana na favela da Rocinha. Ainda não há informações sobre feridos e presos no local. 

 

Entenda o que desencadeou a onda de violência na Rocinha

A atual onda de intensos tiroteios na Rocinha começou no domingo, 17, quando o chefe do tráfico de drogas no morro, Rogério Avelino da Silva, conhecido como Rogério 157, se desentendeu com o seu antecessor, Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, preso desde 2011. No domingo, os tiroteios deixaram um morto.

Nem estaria insatisfeito com a atuação de Rogério 157 e teria tentado expulsar o seu grupo da favela, por meio de ordens dadas de dentro da prisão. A relação pode ter piorado depois da união da ADA com a facção paulista PCC. Já Rogério teria matado aliados de seu antecessor e mandado expulsar Danúbia de Souza Rangel, mulher de Nem, do morro.

Em represália, Nem teria incitado criminosos da ADA de outros morros, como Vila Vintém, Morro dos Macacos e São Carlos a tentar retomar a favela. A tentativa, porém, foi frustrada, e Rogério continua no alto do morro, segundo informações da Polícia. Danúbia, que é foragida e ostenta alto poder aquisitivo nas redes sociais, também estaria no local. Os dois corpos carbonizados encontrados pela polícia seriam do grupo de Rogério.

Na segunda-feira, 18, o porta-voz da Polícia Militar do Rio, major Ivan Blaz, e o delegado-titular da 11ª DP (Rocinha), Antônio Ricardo, admitiram que sabiam que poderia haver confronto entre traficantes na Rocinha no dia anterior.  Blaz afirmou que a Polícia Militar não agiu com mais força para acabar com o confronto porque a intervenção poderia vitimar moradores. Já Ricardo acrescentou que não sabia que o confronto, que durou cinco horas, "seria desta proporção".

Na quarta-feira, 20, o governador do Rio afirmou que soube na madrugada do domingo que haveria confronto entre traficantes e pediu que a polícia não interviesse, o que causou polêmica.

Depois de quase uma semana de tiroteios no Rio, as Forças Armadas foram chamadas na sexta-feira, 22, para cercar a Rocinha - a mais conhecida comunidade da capital -, diante do reconhecimento de que o Estado perdeu o controle na guerra deflagrada pelo crime. Ao todo, 950 homens do Exército, da Marinha e da Aeronáutica estão mobilizados, além de dezenas de blindados e helicópteros. 

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