WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Polícia indicia 4 pelo acidente com carro alegórico da Paraíso do Tuiuti

Engenheiro, motorista e diretores vão responder por lesão corporal culposa, cuja pena pode chegar a 5 anos de prisão

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

06 Março 2017 | 16h26
Atualizado 06 Março 2017 | 20h10

RIO - A delegada Maria Aparecida Mallet, da 6ª Delegacia de Polícia (Cidade Nova), indiciou nesta segunda-feira, 6, por crime culposo (sem intenção) quatro acusados pelo acidente com o carro alegórico da escola de samba Paraíso do Tuiuti. Segundo ela, uma sucessão de erros, como a falta de visão do motorista e a ausência de guias para orientá-lo na pista, ocasionou o acidente, que deixou 20 pessoas feridas na Sapucaí no desfile de domingo.

Foram indiciados o motorista da alegoria, Francisco de Assis Lopes, o engenheiro que a projetou, Edson Marcos Gaspar de Andrade, e os diretores de alegoria e carnaval da escola, Jaime Benevides de Araújo Filho e Leandro Azevedo Machado. Todos foram acusados de lesão corporal culposa, cuja pena vai de dois meses a um ano de detenção por crime. A punição pode ser aumentada em um terço, se o crime é praticado contra pessoa menor de quatorze ou maior de sessenta anos.

Segundo a delegada, o motorista disse que não tinha visão frontal da pista, porque outra alegoria fora acoplada à frente do carro. Ele foi denunciado porque, de acordo com a policial, assumiu o risco de cometer um acidente quando continuou dirigindo nessas condições.

"Ele disse que se surpreendeu quando foi acoplado um carro no seu e alertou à escola, que não teria dado atenção ao problema. O diretor de alegoria, Jaime Benevides, teria dito que cinco guias no chão iriam orientá-lo. Mas na hora só ele ajudou e, como ficou na frente do carro, Francisco também não o enxergou e nada adiantou. Ele também estava sem rádio de comunicação", disse a delegada.

O engenheiro também foi indiciado por ter admitido, em seu depoimento, que o projeto previa o carro acoplado que obstruía a visão frontal do motorista. Ele contou à delegada que o fato de os motoristas das alegorias não enxergarem a pista nas alegorias é comum no carnaval. Disse ainda que as escolas oferecem guias no chão para orientá-los.

Ainda há uma vítima do acidente internada em estado grave. Lúcia Regina Mello corre o risco de perder uma das pernas. Ela já passou por pelo menos três cirurgias e precisou de transfusão de sangue. Por meio de nota, a assessoria de imprensa da escola Paraíso do Tuiuti disse que não comentaria os indiciamentos. Os acusados, em seus depoimentos, se eximiram de responsabilidade pelo acidente.

 

 

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