Policiais contam detalhes da operação que matou 12 em favela

Piloto de helicóptero usado durante operação afirma que tinha de deter criminosos antes que eles escapassem

22 Outubro 2007 | 10h15

O delegado Dioclécio Francisco de Assis Filho, que participou da operação realizada pela Polícia Civil, na última quarta-feira, 17, na Favela da Coréia, em Senador Camará, na Zona Oeste do Rio, afirmou que ele e sua equipe ficaram três horas acuados durante o confronto.   Ele e outros policiais envolvidos contaram ao Fantástico, da TV Globo, detalhes da ação que deixou 12 pessoas mortas, entre elas um menino de 4 anos e um policial civil. O delegado afirmou ter sido alvo de tiros que vinham do alto do morro. "Os marginais tinham muita munição e uma posição privilegiada, fazendo tiros precisos, que quase levaram a nossa equipe à morte. A única solução que encontramos foi solicitar o apoio do Águia", diz.   Segundo Adônis de Oliveira, piloto do helicóptero Águia, usado na operação, um dos criminosos estava armado com um fuzil. "Quando chegamos nesse ponto, dois marginais que estavam no alto do morro correram para uma casa na base do morro. Eles continuaram fazendo disparos contra as viaturas e contra o helicóptero", comenta. Sobre as imagens que registraram o momento em que dois homens tentavam escapar de tiros disparados pela polícia, a bordo do helicóptero, Adônis comentou que pretendia deter os traficantes porque sabia que seria mais difícil se eles conseguissem se abrigar numa das casas da comunidade.   "Naquele momento, tentamos parar os dois elementos, porque sabíamos que caso eles se posicionassem naquela casa, o enfrentamento seria muito mais difícil. E até era iminente a possibilidade deles acertarem o helicóptero", diz.   Salvo por um carregador, Rodrigo Oliveira é delegado do Core, uma espécie de tropa de elite da Polícia Civil, que participou do confronto com os traficantes na favela da Coréia. Ele admitiu que não estaria vivo se não fosse a ajuda de um instrumento de trabalho: o carregador. Dois tiros atingiram o delegado. O primeiro pegou na nuca e a bala está alojada no rosto dele.   "Eu tomei o primeiro tiro na cabeça, quando estávamos tentando resgatar dois policiais. Um, inclusive, veio a falecer. O outro estava machucado. Eu caí no solo e fui retirado para o helicóptero com o auxílio de outros colegas. Ao chegar ao hospital, identificamos que existia um segundo tiro, que o carregador, graças a Deus, impediu que perfurasse o meu corpo", lembra Rodrigo.   Desespero de mãe   A mãe do menino Jorge Kauã, morto no confronto, não teve a mesma sorte que o policial. A casa dela ficou totalmente destruída por granadas arremessadas por traficantes e pelos tiros do confronto com a polícia. Ela preferiu não se identificar à reportagem. "Quando meu filho foi ferido, tive que descer correndo, no meio do tiroteio, para poder salvar a vida dele. Eu tentei, fiz o que pude, mas não deu. Aí, teve um policial que ajudou. Eu até queria encontrar ele para agradecer e dar um abraço nele. Eu quero um teto para a minha família, minha sogra também ficou sem casa. Quero viver", diz.

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