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Policiais federais fazem assembleia no Rio para questionar acordo

Thaise Constancio - O Estado de S. Paulo

03 Julho 2014 | 13h 18

Apesar de federação da categoria ter aceito proposta do governo, profissionais se opõem a reajuste salarial de 15,8% e outros pontos

RIO - Em frente ao Centro Aberto de Mídia, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, um grupo de 50 policiais fez na manhã desta quinta-feira, 3, uma assembleia para debater o acordo assinado entre a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) e o governo federal por aumento salarial, ampliação do efetivo e melhoria na infraestrutura.

Sem entender ao certo o que acontecia, o jornalista indiano Prakash Chandra questiona o motivo da aglomeração. Ao saber que, apesar de a Fenapef ter aceito, os policiais fluminenses questionam a proposta do governo federal de reajuste de 15,8% e reconhecimento oficial da necessidade de nível superior para os cargos de escrivão, papiloscopista e agente da PF, ele estranha. "Mas eles estão questionando a União?", pergunta.

Ao confirmar a dúvida, completa: "Na Índia não existe esse tipo de coisa. Lá, eles seguem disciplinadamente, sem contestar".

A assembleia foi marcada na orla, justamente para chamar a atenção da população (e da imprensa) sobre as insatisfações e problemas da Polícia Federal. Um elefante branco foi colocado perto do carro de som e alertava para o baixíssimo desempenho das polícias nacional e estaduais de todo o País. Apenas 4% dos inquéritos policiais são concluídos.

"No Chile, um país da América Latina, 96% dos inquéritos são concluídos", observa o presidente do Sindicato dos Servidores do Departamento de Polícia Federal no Estado do Rio de Janeiro (SSDPF/RJ), André Vaz de Mello. "Precisamos de melhores condições para prestar nosso serviço com qualidade para a população", completa.

Os policiais ainda esperam a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 51 que, entre outros temas, propõe a desmilitarização e a reestruturação das polícias para que atuem conjuntamente desde o policiamento ostensivo até a investigação dos crimes.