MARCOS DE PAULA/ESTADÃO
MARCOS DE PAULA/ESTADÃO

Professores fazem ‘vaquinha’ para limpeza do Museu Nacional

Espaço fechou por falta de dinheiro para pagar faxineiros; docentes temem que sujeira afete acervo, composto de material orgânico

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

13 Janeiro 2015 | 19h41

RIO - Professores dos cursos de pós-graduação que trabalham no Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), se uniram para pagar a passagem de ônibus da equipe de limpeza. Eles temiam que a sujeira afetasse o acervo, composto de muito material orgânico, sensível a micro-organismos. O museu fechou na segunda-feira por falta de dinheiro para pagar os faxineiros, que estão com salários atrasados já há três meses. O serviço de portaria é outro problema: teve o contrato cancelado.

O Ministério da Educação fez um repasse de R$ 4 milhões na própria segunda-feira, e, nesta terça-feira, o reitor da UFRJ, Carlos Levi, determinou que o museu, o principal de história natural na América Latina, seja reaberto ainda nesta semana. “Queremos reverter a situação de maneira ágil. Por causa do contingenciamento dos recursos, tivemos muitas dificuldades, que estamos tentando administrar”, disse Levi na tarde desta terça. A diretora do museu, Cláudia Rodrigues Carvalho, não definiu a data certa da reabertura.

O espaço museológico e os cursos de mestrado e doutorado da UFRJ nas áreas de antropologia social, arqueologia, botânica e zoologia dividem o espaço do Palácio de São Cristóvão, que abrigou a família real portuguesa desde a chegada de d. João VI ao Brasil, em 1808.

Crise. No último fim de semana, quando o museu recebeu cerca de dez mil visitantes, os funcionários da limpeza só puderam se deslocar para o trabalho por causa da vaquinha dos professores, contou o antropólogo Luiz Fernando Dias Duarte, um dos diretores do museu e responsável pelo planejamento das comemorações por seus 200 anos, em 2018.

“A crise é estrutural. A UFRJ não tem recursos suficientes. Se o dinheiro não chegar até amanhã (quarta), vamos pagar para que seja feita uma faxina final. As coleções são muito vulneráveis”, considera Duarte. 

Instalado na Quinta da Boa Vista, parque do bairro de São Cristóvão, na zona norte do Rio, o museu tem boa visitação por estar inserido em uma área de lazer de grande apelo popular. Os cursos de pós-graduação, por sua vez, estão entre os mais destacados do País. 

Mais conteúdo sobre:
Museu Nacional Rio de Janeiro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.