Polícia Federal
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Receita acha carregadores de fuzil com peças de carrinho de bebê no Galeão

Carga veio da Polônia com destino a uma favela; PF fez entrega falsa para prender mulher de 63 anos que se apresentou para retirar encomenda

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

17 Fevereiro 2017 | 17h23
Atualizado 17 Fevereiro 2017 | 19h25

RIO - A Receita Federal interceptou no Aeroporto Internacional do Galeão, na zona norte do Rio, uma carga de 24 carregadores para fuzil vinda da Polônia, na Europa Oriental. O material, encontrado na última terça-feira, 14, pela Seção de Remessas Postais Internacionais da Alfândega, estava dentro de uma caixa, misturado com peças de um carrinho de bebê. Seu destino era uma favela de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio.

Alertada, a Polícia Federal realizou nesta sexta-feira, 17, uma entrega simulada da carga na agência dos Correios para onde o material fora destinado. O objetivo era montar uma cilada para prender o destinatário dos carregadores. Uma mulher de 63 anos apresentou-se para retirar o "carrinho de bebê" e foi presa em flagrante pelos agentes. Ela foi indiciada pelo crime de tráfico internacional de armas. A PF não divulgou sua identidade, nem o nome da comunidade que receberia as peças de armamento.

Segundo o inspetor-chefe adjunto da Alfândega do Galeão, Fernando Fraguas, sua equipe desconfiou da encomenda quando viu que a sua descrição estava em polonês. "Como a descrição não estava em inglês, francês ou espanhol, normalmente línguas usadas nas declarações, desconfiamos do que se tratava. Assim que passamos a caixa no raio-x, descobrimos o material ilegal", disse o inspetor ao Estado.

Logo depois da descoberta, a PF foi acionada. Os policiais federais passaram a monitorar a encomenda até fazer a operação de entrega falsa nos Correios. De acordo com Fraguas, é comum que misturem materiais lícitos com cargas ilícitas, para tentar enganar as autoridades.

"Por isso, olhamos com cuidado todas as remessas. Também temos achado muitas drogas vindas da Europa para o Brasil, como haxixe, ecstasy e agora o MDMA. Só no ano passado, fizemos 213 apreensões, só no Galeão", disse Fraguas.

O inspetor também afirmou que, em seis anos na atividade, nunca tinha encontrado uma carga de carregadores para fuzil no aeroporto. "O que descobrimos foi munição para fuzil, no ano passado", afirmou.

 

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