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Rio tem 5 vezes mais casos da síndrome de Guillain-Barré

- Atualizado: 18 Fevereiro 2016 | 03h 00

Segundo especialista, pacientes que tiveram zika têm comprometimento mais sério do sistema nervoso

O mosquito 'Aedes aegypti' é transmissor do zika, da dengue e da chikungunya

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RIO - O número de vítimas da síndrome de Guillain-Barré aumentou ao menos cinco vezes neste ano em hospitais no Estado do Rio. A constatação é de médicos integrantes de uma rede de troca de informações sobre o tema, que atenderam os pacientes em hospitais públicos e privados. Todos haviam sido infectados pelo vírus zika antes de manifestar a Guillain-Barré, segundo os diagnósticos, o que ampliou a preocupação.

Integrante desse grupo médico, o neurologista Osvaldo Nascimento, especialista em doenças do sistema nervoso periférico do Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap), da Universidade Federal Fluminense (UFF), disse nesta quarta-feira que a taxa de incidência da síndrome na população sempre foi de 0,5 até 4 casos por 100 mil habitantes. Mas só nos primeiros 45 dias de 2016 foram de 20 a 30 diagnósticos, segundo ele. Os números não são precisos porque a troca de informações se dá por meio de uma rede informal, que ainda está sendo oficializada. 

“Continua uma síndrome rara, mas esse aumento chama a atenção. Esses 20 e poucos casos são os que conhecemos e há ainda os que não chegaram aos hospitais, uma vez que 80% dos pacientes com Guillain-Barré têm evolução muito boa. Quando são precedidos pelo vírus zika, no entanto, a tendência que observamos é que haja um comprometimento mais sério do sistema nervoso”, disse Nascimento, professor titular e coordenador de pesquisa e pós-graduação em Neurologia da UFF. Ele disse ter atendido pessoalmente seis pacientes com quadros precedidos pela zika. “Não sabemos como vai ser nos próximos meses. Pode ser que se torne algo sazonal; pode ser que se comporte como foi com o ebola na África: todo mundo ficou com medo, mas não aconteceu o pior.”

Dois dos casos do Huap, em Niterói (cidade na região metropolitana do Rio), são muito graves. Um é o do professor universitário Jonas Antônio Ávila França Junior, de 33 anos, que teve zika e está paralisado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI). Ele não consegue andar, falar nem comer - só movimenta os olhos. O outro paciente está na emergência, por falta de espaço no CTI. Três casos que estavam sendo tratados como suspeitos resultaram em alta com diagnóstico definitivo de polineuropatia radicular, doença degenerativa também rara, sem ligação com a zika. 

Vagas. O núcleo de Nascimento no Huap é referência no estudo e tratamento de doenças do sistema nervoso periférico, como lepra e neuropatia diabética. Desde que o número de casos cresceu, passou a ser intenso o fluxo de médicos, alunos e pacientes em busca de informações. Levando em consideração o temor em relação à zika e suas consequências, as condições de trabalho deveriam ser melhoradas, disse o neurologista. “Precisamos de vagas no CTI e de pessoal.”

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