Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Sem luxo, Império Serrano recorre à tradição, mas deve perder décimos por desfilar rápido demais

Após oito anos desfilando na segunda divisão do carnaval do Rio, voltou à elite do carnaval carioca

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

12 Fevereiro 2018 | 00h02

Após oito anos desfilando na segunda divisão do carnaval do Rio, o Império Serrano voltou à elite das escolas de samba cariocas ao abrir a primeira noite de desfiles no sambódromo do Rio de Janeiro, a partir das 21h34 deste domingo, 11. Discorrendo sobre a China, a agremiação tentou compensar a falta de luxo, decorrente da falta de dinheiro, com menções recorrentes à tradição da escola, uma das quatro que dominaram o carnaval do Rio até a segunda metade da década de 1970 - ao lado de Mangueira, Portela e Salgueiro.

Mas, além de cometer erros que criaram buracos entre algumas alas, a Império passou tão rápido que não cumpriu os 65 minutos mínimos de desfile. Encerrou com 63 minutos, o que deve fazê-la perder dois décimos automaticamente - isso será confirmado no início da apuração, na próxima quarta-feira, 14. Para evitar esse tipo de falha, eram realizados ensaios técnicos, que neste ano foram cancelados por contenção de gastos da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), depois que as escolas receberam da prefeitura a metade da verba que era repassada até 2017 - em vez de R$ 2 milhões por escola, a prefeitura entregou R$ 1 milhão.

Antes do desfile, foi prestada uma homenagem ao músico Wilson das Neves, famoso torcedor do Império que morreu em agosto, aos 81 anos. Integrantes da escola carregaram uma faixa onde se lia: "Império Serrano é minha vida e a Sinfônica é minha morada", frase que faz referência à forma como é conhecida a bateria da escola do morro da Serrinha, zona norte do Rio. O cantor e compositor Arlindo Cruz, que sofreu um acidente vascular-cerebral (AVC) no ano passado e desde então está hospitalizado, também foi homenageado. Vários artistas, como Regina Casé e Maria Rita, exibiram camisas onde se lia "Força, Arlindo" de um lado e "O show tem que continuar" do outro.

O carnavalesco Fabio Ricardo contou a história da China por meio das 28 alas e cinco carros alegóricos. Os ritmistas desfilaram fantasiados como integrantes do exército do Qin, o primeiro imperador chinês. A rainha Milena Nogueira era uma guerreira homenageada por um poema chinês. Um dos carros representava a muralha da China, e não faltaram menções à religiosidade e à filosofia. O último carro alegórico, que representava o Ano Novo chinês, periodicamente disparava serpentinas usando um sistema que emitia barulho semelhante ao de um tiro e chegou a assustar o público.

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Sem luxo, a escola fez diversas menções à tradição. O próprio samba tinha seu auge num refrão que dizia: "deixa o povo cantar, matar a saudade do Império Serrano". O quinto e último setor da escola chamava "O meu Império é raiz, herança", trecho de um samba-enredo de autoria de Arlindo Cruz e outros.

Ao final, apesar dos erros, os componentes da escola comemoraram muito o desfile. A presidente Vera Corrêa, em lágrimas, foi efusivamente cumprimentada por dezenas de foliões.

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