REUTERS/Ricardo Moraes
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'Sensação é de que estamos à deriva', diz coronel da reserva sobre violência no Rio

Para Ibis Silva, crise política no Estado impacta mais o quadro de descontrole do crime do que a situação financeira do governo

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

11 Julho 2017 | 03h00

RIO - A crise política no Estado impacta mais o quadro de descontrole da violência do que a situação financeira do governo, acredita o coronel da reserva Ibis Silva, comandante da Polícia Militar em 2014 e crítico da chamada “guerra às drogas”. Isso porque o maior problema, ele aponta, é a falta de um plano de segurança, o que depende de vontade e força do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).

“A situação política é determinante para entender a crise na segurança. Por exemplo, faltam PMs nas ruas e há 2.000 alocados em outros órgãos, com os quais o governo não quer brigar. Da mesma forma, nesse contexto não se formulam as ações que vão impactar no campo da segurança”, opina o oficial, para quem falta também engajamento social contra o cenário atual.

“Nós todos estamos com a sensibilidade embotada em relação à violência. As pessoas se comovem com as crianças que são mortas por balas perdidas, mas é pouco, porque isso não se transforma em indignação. A sensação é de que estamos à deriva, como num Titanic”.

Para Silva, falta também uma ação mais efetiva do Ministério Público do Estado, que tem prerrogativas de fiscalização e que, assim, poderia tomar medidas incisivas no sentido de coibir a prática policial de confronto com traficantes, o que gera insegurança para as pessoas do entorno. “Não se pode eleger o tráfico como inimigo sem levar em conta a vida das pessoas. Se a menina Vanessa tivesse morrido no Leblon (e não na zona norte), o secretário de Segurança teria sido exonerado pelo telefone.”

Essa semana, depois de muitos casos de ferimentos por balas perdidas, disparados pela polícia e por criminosos, o secretário, Roberto Sá, determinou que sejam evitados embates quando há riscos para as vidas alheias. No entanto, ele ressalvou que tudo depende da conduta dos policiais nas ruas.

“Existe confronto, mas não é uma política de confronto. Se o policial está fazendo uma abordagem e o sujeito desce atirando, é uma decisão que ele (policial) terá que fazer ali, na hora”, ele disse, à Globonews, ao se solidarizar com as famílias das crianças vitimadas. “Meu coração é o coração de pai, de humano. Os números dizem que tudo piorou. Fazer segurança pública com dinheiro já é complexo; imagina sem dinheiro”.

O Instituto de Segurança Pública (ISP) não faz medição de pessoas feridas por balas perdidas. Segundo compilou o jornal carioca Extra, foram 632 de 1º de janeiro a 2 de julho deste ano.

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