Sírio é atacado por brasileiros no Rio e comparado a 'homem-bomba'

Imigrante vendia alimentos em Copacabana quando foi hostilizado por grupo

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2017 | 19h57

RIO - Um sírio que mora no Rio foi hostilizado enquanto trabalhava vendendo esfirras e outros salgados árabes na rua, em uma esquina do bairro de Copacabana, na zona sul do Rio, na última sexta-feira, 28. Muito exaltado, um brasileiro armado com dois pedaços de pau reclamou aos gritos: “Saia do meu país! Eu sou brasileiro e estou vendo meu país ser invadido por esses homens-bomba que mataram, esquartejaram crianças, adolescentes. São miseráveis”. 

Outros homens apoiaram o brasileiro. Pessoas que passavam pelo local filmaram o episódio, que repercutiu nas redes sociais.

Aparentemente, o brasileiro reclamou do sírio por conta da concorrência na venda de alimentos na esquina das Rua Santa Clara com a avenida Nossa Senhora de Copacabana. Um grupo chegou a jogar no chão material do árabe. “Essa terra aqui é nossa. Não vai tomar nosso lugar não”, afirmou ainda o brasileiro mais exaltado, que em nenhum momento se identificou.

O sírio, identificado como Mohamed Ali, de 33 anos, passou a vender quitutes em outro local e não quis registrar o episódio na polícia. “Eu não entendi muito bem porque ele veio brigar comigo. De repente ele começou a gritar e me pedir para sair. Ele falava muito rápido e não consegui compreender algumas coisas. Outras pessoas que estavam traduzindo para mim. Sei que ele falou que os muçulmanos estavam invadindo o país e falando de homens-bomba. Não esperava que isso pudesse acontecer comigo. Vim para o Brasil porque a guerra me fez vir para cá. Vim com amor, porque os amigos sempre diziam que o Brasil aceita muito outras culturas e religiões, e as pessoas são amáveis e todos os refugiados procuram paz. Não sou terrorista, se eu fosse, eu não estaria aqui, estaria lá”, afirmou Ali ao jornal O Globo.

 

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