Severino Silva/Agência O Dia
Severino Silva/Agência O Dia

Sobrevivente de serial killer é procurada no RJ

Outra vítima, atacada em 2012, foi à polícia com marcas de facadas; já há indícios da autoria de Saílson das Graças em sete casos

Tiago Rogero, O Estado de S. Paulo

12 Dezembro 2014 | 21h14

RIO - Em novo depoimento nesta sexta-feira, 12, Saílson José das Graças, de 26 anos, que afirmou à polícia ter assassinado 43 pessoas nos últimos nove anos, falou sobre uma mulher que sobreviveu. Ele teria tentado enforcar a vítima três vezes, mas, como ela ainda resistia, desistiu. O delegado-assistente da Divisão de Homicídios, Marcelo Machado, afirmou que a polícia está à procura dessa mulher para que ela ajude na investigação.

Já há indícios de pelo menos sete assassinatos: quatro por encomenda, dois que ele afirmou ter cometido “por prazer” e o de um garoto de dois anos, o único do qual disse estar arrependido. O delegado titular Pedro Medina afirma que ao menos dez policiais estão trabalhando no caso para cruzar depoimentos do homem com ocorrências antigas.

Em meio a gritos de “assassino” de algumas pessoas que acompanhavam a cena, Saílson foi transferido no fim da tarde de ontem para a Divisão de Capturas da Polícia Civil (Polinter), na zona norte do Rio. Após passar pelo Instituto Médico-Legal, o homem seria levado ainda para um presídio.

Nesta quinta-feira, 11, uma mulher que contou ter sobrevivido em 2012 a um ataque de Saílson foi à delegacia. Cíntia Ramos Messias é filha de José Messias, que foi preso em flagrante com Saílson na terça-feira pelo assassinato de uma mulher - foi após essa prisão que o homem afirmou ter cometido os 43 crimes. 

Cíntia disse aos policiais que teve a morte encomendada pelo pai e a mulher dele, Cleusa Balbina, que morava com Saílson e José e que também foi presa na terça-feira. Segundo a polícia, era Cleusa a mandante de quatro crimes com indícios de participação de Saílson. 

Exibindo cicatrizes das facadas que levou, a vítima afirmou que José e Cleusa encomendaram sua morte para ficar com a guarda de sua filha.

“Ele (Saílson) colocou a faca nas minhas costas, na porta de casa. Me levou para um terreno baldio e me deu facadas no peito. Fiquei das 5h30 às 7 horas lá até alguém me achar e chamar o socorro”, disse.

O titular da Divisão de Homicídios voltou a tentar justificar o fato de Saílson ter passado tanto tempo incólume, somente com prisões por furto e roubo, caso se confirmem os 43 assassinatos. “O criminoso nunca foi descoberto pelo lapso temporal e também por serem casos distribuídos por algumas distritais, como Duque de Caxias, Belford Roxo e Nova Iguaçu”, disse Medina.

Repercussão. Segundo a polícia, além do número de vítimas, o caso chamou atenção por causa da frieza do acusado. Ele relatou que usava toucas ninja, caso houvesse câmeras de segurança por perto, e cortava as unhas das vítimas depois de enforcá-las, para que não fossem encontrados vestígios. Disse que ficava observando as casas das vítimas, seus hábitos, e que matava por prazer.

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