Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Soldado de 35 anos é o 90º PM assassinado no Rio neste ano

Dos 90, 20 estavam trabalhando, outros 53, de folga e 17 eram aposentados. Em 2016, 78 PMs foram mortos

Constança Rezende e Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

21 Julho 2017 | 21h14

O soldado Fabiano de Brito e Silva, de 35 anos, foi morto às 5 horas desta sexta-feira, 21, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, quando saía de casa. Ele é o 90.º policial militar do Estado do Rio de Janeiro assassinado neste ano – os três últimos morreram no intervalo de quatro dias. Dos 90 PMs mortos, 20 estavam trabalhando, outros 53 de folga e 17 eram reformados (aposentados). Em todo o ano de 2016 foram mortos 78 PMs.

Silva seguia de carro para o trabalho quando foi abordado por dois homens em uma moto. Eles estavam armados com fuzis, aparentemente de calibre 45. O PM reagiu, houve troca de tiros e ele foi baleado na barriga. A dupla fugiu. Silva foi socorrido, mas morreu no Hospital Geral de Nova Iguaçu.

Casado e pai de três filhos, ele atuava no 20.º Batalhão, em Mesquita (região metropolitana), e estava na PM desde 2014. Evangélico, dividia seu tempo entre o trabalho, a família e a igreja, segundo parentes. Há dois meses, fez um curso para policiais em Miami, nos Estados Unidos. As despesas de viagem foram pagas por empresários, que contratavam o policial em suas horas de folga como segurança de suas famílias.

Os outros dois policiais mortos nesta semana foram baleados na segunda-feira. Pela manhã, o cabo Bruno Santos de Azevedo, de 29 anos, foi atingido na cabeça quando chegava ao trabalho, numa das bases da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Mangueira, na zona norte. Seria seu primeiro dia de trabalho na nova UPP – com medo da violência, ele havia pedido transferência de uma UPP do Complexo do Alemão.

À noite, o soldado Thiago Marzula de Abreu, de 30 anos, foi o 89.º PM morto no Rio em 2017. Ele fazia ronda pela favela da Dita, em Alcântara, São Gonçalo (região metropolitana), quando foi surpreendido por criminosos e baleado na cabeça.

Gravidade. Para a socióloga Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) da Universidade Cândido Mendes, a escalada de assassinatos de PMs indica vários equívocos da política de segurança pública. “Um policial morrer em serviço é a coisa mais grave que pode acontecer. Quando isso acontece, é preciso haver mudanças, mas não é o que tem ocorrido no Rio.” Segundo Silvia, a medida que causa efeito mais imediato é a polícia reduzir tiroteios. 

Procurada para comentar o aumento de mortes de policiais, a PM não se manifestou.

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