Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Em ato contra Uber, taxistas entram em confronto com a PM no Rio

Motoristas atiraram objetos contra os agentes - policiais revidaram com bombas de gás lacrimogêneo; um homem foi detido

Constança Rezende e Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

27 Julho 2017 | 10h13
Atualizado 27 Julho 2017 | 21h49

RIO  - Taxistas entraram em confronto com a Polícia Militar durante um protesto pela regulamentação do transporte por aplicativos (como Uber, Cabify e 99) promovido na manhã desta quinta-feira, 27, no Rio. Não houve feridos, mas foram registrados congestionamentos, e a Avenida Presidente Vargas, uma das principais da cidade, ficou interditada por cerca de meia hora no sentido Candelária. O prefeito Marcelo Crivella (PRB) lamentou os incidentes, mas disse entender os taxistas. Segundo ele, a regulamentação do Uber está em discussão na Justiça, e por enquanto a prefeitura vai auxiliar os taxistas criando um aplicativo próprio, o Táxi Rio, que deve estar disponível a partir do fim de agosto.

Programados há cerca de um mês, os protestos começaram de madrugada. Por volta das 4h30, taxistas incendiaram pneus, criando uma barricada que impedia o trânsito por uma alça de acesso ao aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio. O fogo foi controlado, e ninguém se feriu.

A partir das 6h, taxistas se reuniram em diversos pontos da cidade, como Copacabana (zona sul), Barra da Tijuca, Realengo (zona oeste), Del Castilho e Ilha do Governador (zona norte). Desses bairros saíram em carreata rumo à sede administrativa da prefeitura, o Centro Administrativo São Sebastião, na Cidade Nova, junto à região central. No trajeto, trafegando lentamente, interditaram vias como o Aterro do Flamengo e a Linha Amarela. Segundo o Centro de Operações da Prefeitura do Rio, o maior congestionamento foi de 63 quilômetros, registrado às 11h. Nesse horário, a média das últimas três semanas foi de 42 quilômetros. 

Cerca de mil taxistas - segundo estimativa da prefeitura - foram à prefeitura, receberam autorização para estacionar no Sambódromo e permaneceram em pé na frente do prédio. Líderes se revezavam discursando em dois carros de som, e o protesto permaneceu pacífico até por volta de 11h. Foi quando um grupo de taxistas tentou interditar a avenida Presidente Vargas, e a Polícia Militar interveio. Houve um tumulto, e os PMs lançaram bombas de gás. Os taxistas usaram rojões e ovos, e a pista acabou interditada às 11h25. 

O clima de tensão se agravou, dois taxistas foram detidos, e a Tropa de Choque da PM foi chamada. Antes que agisse, no entanto, foi firmado um acordo com os taxistas, que liberaram a via às 11h55. Logo depois, um dos líderes do protesto, conhecido como André do Táxi, anunciou ter conseguido uma reunião com Crivella. Parte dos taxistas foi embora, mas por volta das 15h o grupo que permaneceu se envolveu em outra confusão, com vigias de um carro forte. A PM interveio, e o tumulto foi controlado. Segundo a Guarda Municipal, até as 17h quatro taxistas haviam sido multados por interditar vias.

Aplicativo. Crivella afirmou que a principal reivindicação dos taxistas, a regulamentação dos aplicativos, depende da Justiça. “O Uber está trabalhando com base numa liminar concedida pela Justiça. Na última sexta-feira estive com o presidente do Tribunal de Justiça para pedir agilidade no julgamento do mérito, mas estamos em período de recesso. Quem vai determinar o que pode ou não é a Justiça, com base nos preceitos constitucionais”, afirmou. “A liminar não abrange os outros aplicativos (Cabify e 99), mas se tomarmos qualquer medida contra eles é claro que também vão recorrer à Justiça. Então é preciso aguardar essa decisão sobre o Uber”, disse.

“O que a prefeitura pode oferecer é um aplicativo, que já está em testes e vai permitir ao taxista benefícios semelhantes aos dos aplicativos que já existem, sem cobrar nenhuma taxa", afirmou o prefeito, referindo-se ao Taxi.Rio, lançado em maio e atualmente em teste por 500 profissionais. “Algumas das reivindicações dos taxistas já foram atendidas, como a ampliação de seis para oito anos de vida útil dos táxis convencionais”, disse Crivella, que anunciou a intenção de restringir o acesso a aeroportos e alguns pontos turísticos a táxis. “Seria uma forma de equilibrar a concorrência”, defendeu. A medida ainda está em estudo. “Não queremos o fim dos táxis, até porque eles ajudam a manter a concorrência. Quem garante que, se não houver mais táxis, o valor dos aplicativos não vai aumentar?”

Os testes do aplicativo criado pela prefeitura devem terminar no fim de agosto, quando ele poderá ser adotado por qualquer taxista. A tarifa básica será a mesma do taxímetro, mas motorista e passageiro poderão combinar descontos previamente. “Não cabe à prefeitura definir que tipo de desconto o taxista vai oferecer. Isso deve ser negociado entre o cliente e o motorista. Então, nossa ideia é que o passageiro, ao pedir o táxi, estabeleça qual desconto pretende obter. Os taxistas também vão escolher até quanto querem oferecer de desconto, então quando o passageiro determinar seu desconto terá acesso àqueles taxistas que aceitam esse valor. Quando o desconto coincidir, passageiros e taxistas serão colocados em contato”, explicou Fábio Pimentel, presidente da Empresa Municipal de Tecnologia, responsável pela criação da ferramenta.

 

 

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